Setor automotivo demite e emprego fabril tem 9ª queda seguida no ABC | Diário Regional

Setor automotivo demite e emprego fabril tem 9ª queda seguida no ABC

17/04/2014 8:19
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O emprego industrial manteve em março sua trajetória de queda, observada desde meados de 2013. As fábricas do ABC fecharam 1.150 vagas no mês passado, com recuo de 0,52% no nível de ocupação em comparação a fevereiro, segundo pesquisa divulgada ontem (16) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). O setor automotivo, incluindo autopeças, foi um dos principais responsáveis pelo desempenho ruim.

Trata-se da nona queda mensal consecutiva no emprego fabril do ABC. No acumulado do primeiro trimestre, o saldo entre contratações e demissões é negativo em 3 mil postos de trabalho (queda de 0,87%) e, nos últimos 12 meses, em 11.750 (recuo de 4,92%).

O setor vem sofrendo, desde 2011, com o cenário internacional adverso – agravado este ano pela crise na Argentina, principal parceiro regional do Brasil –, com a queda na demanda interna e com a perda de competitividade. Especificamente no setor automotivo, a situação é agravada pela redução dos incentivos fiscais, pelo aumento nos juros e pelo aperto no crédito.

Ainda segundo o levantamento, dos 21 subsetores industriais pesquisados, em 13 houve fechamento de vagas em março no ABC. As principais contribuições negativas vieram dos segmentos de produtos de madeira (queda de 4,53%), vestuário (-3,76%) e de borracha e plástico (-2,54%), móveis (-2,79%), máquinas e equipamentos (-0,89%) e veículos e autopeças (-0,97%).

Entre as quatro regionais do Ciesp no ABC, o pior resultado ocorreu em São Caetano: fechamento de 500 vagas em março, com queda de 2,07% no estoque de vagas. Foi o pior resultado entre as 36 regionais da entidade no Estado. Derrubaram a ocupação na cidade setores como veículos automotores e autopeças (-3,41%) e móveis (-2,79%).

Em outras duas regionais também houve queda na ocupação em fevereiro. A de Santo André – que inclui as indústrias do município e mais Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – fechou 250 vagas (redução de 0,39% na ocupação), enquanto a de Diadema eliminou 550 (-1,02%). No sentido contrário, São Bernardo abriu 150 postos (alta de 0,18%).

No Estado

No Estado de São Paulo, a indústria criou 6 mil postos de trabalho em março, boa parte no segmento sucroalcooleiro. Considerando os efeitos sazonais, o resultado é negativo em 0,26%. Nos primeiros três meses do ano, a indústria paulista criou 20 mil vagas, mas no acumulado de 12 meses há fechamento de 50,5 mil (queda de 1,9%). “Pelo significado, os (resultados) negativos falam mais alto que os positivos e falam coisas ruins com relação à expectativa futura”, disse em nota Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos das entidades.

Francini destacou que as baixas mais expressivas ocorreram em setores ligados à cadeia automotiva. “Os dados negativos estão muito perto da indústria automotiva, seja do próprio setor – que inclui montadoras e autopeças –, seja de setores próximos, como o de borracha e plástico”, afirmou.

Para Francini, o aumento dos estoques de veículos no Brasil, divulgado pela Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea) no começo do mês, é “um prenúncio ruim para esse setor que, na sua ramificação total, é de grande importância para a indústria”. De acordo com a Anfavea, os estoques subiram de 37 dias em fevereiro para 48 dias em março.



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