Chanceler brasileiro relata avanços em negociações entre governo e oposição | Diário Regional

Chanceler brasileiro relata avanços em negociações entre governo e oposição

17/04/2014 8:23
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O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou ontem (16) que houve avanços importantes nas negociações entre governo e as forças de oposição na Venezuela, que estiveram reunidos ontem, em Caracas.

Segundo o chanceler, as duas partes declararam sua condenação à violência, “venha de onde vier”, e decidiram pela criação de uma comissão da verdade, composta por representantes políticos e demais membros da sociedade venezuelana para investigar as denúncias recentes de violência.

“O propósito é analisar todos os fatos conhecidos no âmbito desses distúrbios pelos quais passou a Venezuela nos últimos meses. Isso quer dizer as mortes acontecidas, investigação de como essas mortes aconteceram, determinação de autoria, mas também os casos apresentados pela oposição de abusos e violações de direitos humanos”, disse Figueiredo.

O chanceler brasileiro participou da reunião como convidado. Além dele, os chanceleres da Colômbia, Equador e Vaticano foram chamados pelo governo e oposição para acompanhar o processo de diálogo na condição de “terceira parte de boa fé”.

Manifestações

A Venezuela vive uma onda de protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro, que tem sido violentamente abafada pelas forças policiais. Mais de 40 pessoas morreram desde o começo das manifestações.

Figueiredo afirmou que há uma clara disposição das duas partes em defender o fim da violência –não o fim das manifestações. “As manifestações, o próprio governo disse isso, são maneiras democráticas de manifestação popular, e isso irá continuar. O que não é possível é a violência, medidas que prejudiquem a vida das pessoas, a circulação livre das pessoas.”

O governo venezuelano também estaria disposto a discutir um projeto de anistia aos presos políticos, uma das demandas da oposição. “Há uma boa vontade por parte do governo de examinar casos. Não há intenção do governo, pelo menos no momento, de ter uma lei de anistia. Há uma disposição de olhar casos específicos”, disse.

Na comissão da verdade, os familiares das vítimas do golpe de 2002 – que tirou Hugo Chávez do poder por dois dias e resultou em várias mortes– serão ouvidos.

Segundo Figueiredo, a coligação MUD (Mesa da Unidade Democrática) – que representa a oposição aceitou dar sugestões ao governo sobre medidas econômicas que possam ajudar a enfrentar as dificuldades pelas quais o país passa– como a taxa de inflação mais alta entre os países americanos e uma forte desindustrialização. O governo foi receptivo, afirmou.

A oposição concordou em enviar especialistas e economistas para sentar com o governo e propor medidas concretas para lidar com essas questões.

A próxima reunião de diálogo deve acontecer próxima semana, com a participação do chanceler brasileiro.



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