Preços de serviços têm maior alta em 2 anos e também pressionam inflação | Diário Regional

Preços de serviços têm maior alta em 2 anos e também pressionam inflação

13/04/2014 12:15
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Refeição fora do lar figura entre os serviços que mais subiram nos últimos 12 meses. Foto: ArquivoAlém do choque dos alimentos que levou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março ao maior patamar para o mês em 11 anos, uma preocupação ronda governo e economistas e complica ainda mais o cenário de inflação neste ano: a alta dos serviços, que atingiu 9% em 12 meses encerrados em março, a maior taxa desde o fim de 2011 e acima do IPCA – que mede a oficial do país – para o período, 6,15%.
Especialistas esperam, para o fim do ano, taxa em torno de 8,5% e, diferentemente dos alimentos, não há previsão de desaceleração dos preços de itens como passagens áreas (uma fonte de pressão é a Copa do Mundo), empregado doméstico, refeição fora do condomínio, aluguéis, mão de obra para reparos, hotéis e médicos – serviços que estão entre os que subiram mais nos últimos 12 meses.

Para os alimentos, que acumula alta de 7,14% em 12 meses, é esperada freada em maio e até queda em junho. “Isso não vai ocorrer com os serviços. Quando os preços sobem, custam muito a cair. É um processo que pode levar anos porque não há concorrência (com importados, por exemplo) e a mão de obra, que é um custo importante do setor, só sobe”, disse Elson Teles, economista do Itaú.

Entre os 37 itens que compõem o grupo serviços do IPCA, apenas dois (motel e seguro de veículos) registram queda nos preços em 12 meses. Há três anos, os serviços – que representam um terço do consumo das famílias – superam a inflação e sobem acima de 8%. Os motivos principais, disse Teles, são mercado de trabalho aquecido, renda em alta (que turbinam o consumo) e reajuste do mínimo – este último com impacto direto no custo dos prestadores de serviço.

Priscilla Burity, economista do Brasil Plural, afirmou que a alta dos serviços é “preocupante” e “complica ainda mais o cenário de inflação deste ano”. Analistas já enxergam risco de o teto da meta da inflação de 6,5% não ser cumprido. Após a alta do IPCA do mês passado (0,92%), as estimativas foram corrigidas para cima – entre 6,2% e 6,5%.

Preços monitorados
Outra fonte de temor são os preços controlados e monitorados pelo governo, que não vão ajudar tanto a segurar a inflação neste ano como em 2013, quando subiram só 1,5%. Isso apesar de o governo deixar para o próximo ano boa parte do repasse às tarifas do custo extra da energia devido ao uso de termelétricas.
O reajuste concedido à Cemig (14,24%) surpreendeu e especialistas passaram a considerar alta da ordem 10% na energia neste ano. Se for confirmada a alta e o governo não intervier no reajuste de outras distribuidoras, o conjunto dos preços monitorados deverá subir entre 4,5% e 5% neste ano – abaixo da inflação, mas sem contribuir tanto para contê-la como em 2013.

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