Marino: ‘minha mulher chorou de raiva’ | Diário Regional

Marino: ‘minha mulher chorou de raiva’

12/04/2014 4:40
Print Friendly

Marino registra queixa em delegacia móvel: “nunca pensei que fosse acontecer comigo”. Foto: Marcelo Andrade/AGP/FolhapressQuase um dia depois de registrar boletim de ocorrência contra dois torcedores do Paraná e acusá-los de ofensas racistas durante jogo pela Copa do Brasil, na quinta-feira (10), o volante Marino, do São Bernardo, sentia mais amena a carga emocional do episódio, mas não conseguia se livrar das marcas do caso. “Estou com minha família, mais tranquilo e com a cabeça erguida, mas fico chateado. Clima ruim, né?”, relatou o jogador, por telefone, confortado pelo apoio recebido de parentes, amigos e colegas.

Marino afirmou que, mesmo indiretamente, a­ca­bou não sendo o único alvo das manifestações dos torcedores paranistas. “Minha esposa, que é da minha cor, também chorou muito. De raiva”, disse o paulista de São Manuel, município situado a cerca de 270 km da Capital.

Ao procurar a polícia para tomar providências, Marino afirmou ter pensado em seus dois filhos, negros como ele. “Estão sujeitos a passar por isso também”, lamentou. “Foi a primeira vez. Nunca pensei que fosse acontecer comigo. Espero que não aconteça com mais ninguém.”

O ex-jogador de Atlético Goianiense e Sport criticou a repetição de cenas parecidas no futebol nacional. “Isso está virando rotina no Brasil. Espero que a justiça seja feita. Que tenha punição”, comentou o volante do Tigre, referindo-se a casos recentes envolvendo o volante Arouca, do Santos (alvo de injúria racista em Mogi Mirim, em jogo do Paulistão), e o árbitro Márcio Chagas da Silva (ofendido por torcedores do Esportivo-RS, em jogo do Campeonato Gaúcho).

“Torcedor pode cobrar, pode xingar, mas este tipo de xingamento não vale, é apelação”, disse Marino. “Pessoas vão lá para fazer as coisas, arrumar confusão, já vão bêbados.”

O volante disse não temer ficar marcado pelo incidente e virar alvo de outros ataques semelhantes. “Não, isso não vai acontecer. Se acontecer de novo, vou tomar a mesma providência, vou reconhecer o cara e fazer boletim de ocorrência. Depois não adianta ficar chorando. Se fez, tem de pagar”, avaliou.

Após expulsão
O atleta do São Bernardo alegou ter sido vítima de ofensas racistas ao deixar de campo, após ser expulso nos acréscimos da derrota por 3 a 1 na Vila Capanema, em Curitiba, pela primeira fase da Copa do Brasil. A vitória classificou o Paraná para a segunda fase, pois houve empate por 1 a 1 no Estádio 1º de Maio.
“Um começou a me chamar de macaco e até joguei um copo de água, mas depois veio outro e começou também a me chamar de macaco. Fui para o vestiário e comecei a chorar”, relatou. “Um cara correu. Foram atrás para pegá-lo, mas não conseguiram localizá-lo”, afirmou.

A injúria racial sofrida pelo volante  pode complicar a situação do Paraná e não está descartada sua exclusão da competição. Em entrevista à Rádio Banda B, o procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, afirmou que o caso ainda será avaliado, mas o clube deve ser punido pelas ofensas de dois torcedores paranistas.

O Paraná venceu o Tigre por 3 a 1 e avançou à segunda fase da competição. “Se houver provas de que isso aconteceu realmente, vamos avaliar o caso. Aí sim poderá ser feita a denúncia contra o clube. A pena depende da gravidade. São várias previstas: perda de mando, de pontos e até exclusão”, disse Schmitt. A diretoria jurídica do Paraná espera pela prisão dos acusados ao mesmo tempo em que prepara a defesa para eventual punição.

Palavras-chave:


Comente esta matéria


Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários discriminatórios ( contra raça, sexualidade, cor, crença e outros) , que violem a lei, a moral e os bons costumes poderão ser denunciados pelos internautas , removidos ou não publicados pela redação.
%d blogueiros gostam disto: