Greve na Argentina começa com confronto entre polícia e manifestantes | Diário Regional

Greve na Argentina começa com confronto entre polícia e manifestantes

11/04/2014 7:52
Print Friendly

Polícia tentou desobstruir via e houve confronto. Foto: Juani Roncoroni/Brazil Photo Press/FolhapressA greve geral que começou na madrugada de ontem (10), na Argentina, registrou seus primeiros incidentes pela manhã. A paralisação, convocada pelas três maiores centrais sindicais de oposição ao governo de Cristina Kirchner – Central Geral de Trabalhadores (CGT), pela CGT Azul e Branca e pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) – teve a adesão de grupos de esquerda que atuam com piquetes em estradas por todo o país.

A polícia tentou desobstruir o trecho da rota Panamericana fechado próximo à cidade Campana (a 75 km de Buenos Aires) e houve confronto. Os policiais usaram balas de borracha contra os piqueteiros e estes reagiram com pedras. Algumas pessoas ficaram feridas.

Em Buenos Aires, 16 pontos de acesso à cidade foram obstruídos com manifestações. A capital federal da Argentina amanheceu vazia, com muitos comércios fechados e principais avenidas e ruas sem trânsito algum.

A greve afetou principalmente o transporte no país. Ônibus e trens não circularam nas cidades e não houve voos domésticos. Muitos táxis não conseguiram trabalhar por falta de combustível, já que os postos também permaneceram fechados.

Os grevistas protestaram contra a inflação e os recentes ajustes econômicos da Casa Rosada e pedem negociações salariais sem intervenção do governo.

O chefe de gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, disse que os organizadores da greve nacional pretendem “sitiar os grandes centros urbanos” com um grande piquete nacional e paralisação dos transportes. Reconheceu o direito à greve, mas considerou a estratégia usada antiquada. “Na Idade Média, os senhores feudais impediam o acesso da população. Não há lugar para a barbárie nem para medidas que conspirem contra o livre exercício do direito à greve dos trabalhadores.”

Segundo Capitanich, os piquetes restringem a liberdade dos trabalhadores que são contra a greve e querem assumir seus postos de trabalho. Ele também disse que “não têm o menor sentido” todos os pontos de reivindicação levantados pelas centrais sindicais opositoras, que protestam contra a inflação, a insegurança e os baixos salários no país.

Por conta dos bloqueios e paralisação do transporte público, a greve afetou o funcionamento de hospitais, escolas, bancos e vários setores da economia. Na greve geral de 2012 – a primeira desde que os Kirchner chegaram ao poder, em 2003 -, as companhias aéreas argentinas cancelaram voos ao Brasil e do Brasil à Argentina. Foi o maior protesto em dez anos e marcou o rompimento de parte do movimento sindical argentino com o governo.

Palavras-chave:


Comente esta matéria


Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários discriminatórios ( contra raça, sexualidade, cor, crença e outros) , que violem a lei, a moral e os bons costumes poderão ser denunciados pelos internautas , removidos ou não publicados pela redação.
%d blogueiros gostam disto: