Alimentos disparam e IPCA bate meta do governo no acumulado de 12 meses | Diário Regional

Alimentos disparam e IPCA bate meta do governo no acumulado de 12 meses

10/04/2014 11:12
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Com disparada dos preços dos alimentos, a inflação do mês passado superou as previsões, que já eram pessimistas, e elevou o risco de estouro da meta fixada pelo governo neste ano eleitoral. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial e é referência para as metas do Banco Central (BC), ficou em 0,92%, maior taxa para meses de março desde 2003, quando a economia ainda se recuperava do “terremoto financeiro” do ano anterior.

Com isso, o IPCA mostrou variação de 6,15% no acumulado de 12 meses, muito mais próxima do limite máximo de 6,50% ao ano tolerado pela legislação do que do centro da meta (4,5%) teoricamente perseguida pelo BC. Os dados mostram ainda que o teto já foi superado com boa folga em produtos e serviços que respondem pela maior parte do orçamento das famílias: comida, casa, saúde, educação e diversão.
Somente vestuário, trans­portes e comunicação mantêm a inflação dentro dos limites – nos dois últimos casos, graças ao controle de preços pelo governo, como os da gasolina e da telefonia. Mais de 70% dos itens do IPCA subiram em março, nível de dispersão maior do que os 69% registrados em fevereiro.

“O risco de a meta do BC estourar existe. Não há espaço para mais nenhum choque de preços”, disse Adriana Molinari, economista da Tendências Consultoria. Boa parte dos analistas revisou para cima a projeção do IPCA. Pesquisa semanal do BC mostra que a expectativa central do mercado é um índice de 6,35% neste ano. Entre os cinco bancos e consultorias com maior taxa de acerto, a aposta sobe para 6,57%.
A taxa de março ficou acima do 0,85% esperado, em média, pelos analistas e investidores. No caso dos alimentos, que responderam por mais da metade da alta do IPCA no mês passado, o aumento de 1,92% (acima do previsto) foi o maior desde janeiro de 2013 e impulsionou a taxa do grupo em 12 meses para 7,14%.

Secas prolongadas em algumas regiões e chuvas em excesso em outras encarecem os preços de alimentos básicos da cesta de consumo das famílias. Somadas, as fortes altas de tomate, batata, leite; carnes, feijão, frutas e hortaliças representaram um terço da alta do IPCA em março.

A expectativa de analistas é que os alimentos sigam sob pressão em abril, embora em intensidade um pouco menor. Desaceleração mais firme só deve ocorrer em maio. Além do clima desfavorável, joga contra a redução dos preços dos alimentos o consumo global aquecido (o que estimula exportações brasileiras e reduz a oferta interna) e o aumento das cotações internacionais de produtos como trigo e soja. Pelos dados do IPCA, pão e outros derivados de trigo já subiram.

O tomate, porém, surge novamente como o grande “vilão” da inflação, com alta de 32,9% em março. Só pesou menos na inflação do que o reajuste de 26,49% das passagens aéreas, que puxaram para cima o grupo transporte (1,38%). As passagens alavancaram o custo dos serviços, outro importante foco de pressão da inflação neste ano, segundo Priscilla Burity, economista do banco Brasil Plural.

INPC
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,82% em março, resultado 0,18 ponto porcentual superior ao 0,64% verificado em fevereiro. Em março de 2013, o INPC havia variado 0,60%. O INPC acompanha os preço de famílias com renda até cinco salários mínimos.

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