Menos de 2% das matrículas são para educação especial | Diário Regional

Menos de 2% das matrículas são para educação especial

06/04/2014 7:44
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Em 2010 viviam 611.359 pessoas com algum tipo de deficiência na região. Foto:  ArquivoAs escolas públicas – municipais e estaduais – da região registraram, em 2013, 484.772 novas matriculas, desde a creche até o ensino médio, incluindo as turmas de educação de jovens e adultos (EJA). Desse total, apenas 8.474 foram de alunos para educação especial (estudantes com algum tipo de deficiência, seja ela física, intelectual ou sensorial, de acordo com informações do site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP), o que representa 1,74% do total. Os dados integram o Censo Escolar de 2013, divulgados pelo próprio INEP.

Considerando apenas as matrículas na rede municipal, foram 180.501 estudantes que ingressaram em 2013, dos quais 1,9% para educação especial: 3.439 matrículas. Na rede estadual, o porcentual é menor: foram 5.035 novos alunos da educação especial, de um total de 304.271 matrículas, o que representa 1,65%. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, indicam que na região viviam 611.359 pessoas com algum tipo de deficiência. No entanto, as informações não são separadas por faixa etária, nem por tipo de deficiência.

Para a doutora em Educação e professora da área de Educação na Fundação Santo André, Marilena Nakano, o percentual é baixo, mas os dados podem não refletir a realidade. “As prefeituras da região têm divulgado poucos dados sobre a educação nas cidades. Os poucos dados que se tem não são alvo das análises necessárias”, explicou. Marilena acredita que uma das hipóteses para o baixo número de matriculas na educação especial está relacionada com a municipalização de escolas estaduais. “Foi além da capacidade dos municípios”, completou.
A especialista, que também é pesquisadora da educação na região, afirma que especialmente na educação infantil houve grande movimento de privatização. “As escolas do setor privado ocuparam fortemente o espaço da educação pública. Porém, nem sempre isso se refletiu na qualidade do atendimento. Um dos parâmetros que sempre analisamos é o número de alunos na sala, que tende a ser maior em escolas particulares”, detalhou, reiterando que esse fenômeno pode ter se repetido na educação especial.

Já a mestre em Educação e professora de Educação Inclusiva e de Libras na Universidade de São Caetano (USCS) Mirian Martins de Oliveira acredita que o baixo porcentual apontado pelos dados sofre influência de informações não precisas por parte das prefeituras. “Nem todos os alunos com algum tipo de deficiência aparecem no cadastro como estudantes da educação especial”, afirmou. A professora também destacou os avanços na área da saúde, que podem colaborar na prevenção de deficiências futuras.

A coordenadora nacional de Educação e Ação Pedagógica da Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos do Excepcional (APAE) Fabiana Maria das Graças Oliveira destaca que muitas escolas particulares oferecem a educação especial, o que pode gerar baixa procura nas redes públicas. “É preciso lembrar que a inclusão precisa ser feita com responsabilidade. Só estar em uma escola comum não significa estar incluído. As escolas precisam estar preparadas para receber o aluno especial, tanto física quanto pedagogicamente”, completou.

 

 

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