Estoque de veículos nas montadoras alcança nível mais alto desde 2008 | Diário Regional

Estoque de veículos nas montadoras alcança nível mais alto desde 2008

05/04/2014 7:30
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Em meio a um cenário de alta nos preços e nas taxas de juros, de crédito restrito e piora no mercado externo, a queda nas vendas de veículos levou as montadoras a acumular estoques considerados preocupantes no primeiro trimestre, sinalizando mais um ano tímido para o setor. As empresas tentam se ajustar ao ritmo mais lento do mercado com diminuições nas jornadas de trabalho, férias coletivas e paradas nas fábricas.

No fim de março, os pátios das montadoras e concessionárias contavam com excedente de 387 mil unidades, equivalente a 48 dias de vendas, o maior nível desde novembro de 2008. Os estoques refletem a retração de 2,1% nas vendas nos três primeiros meses de 2014 – o resultado (812,7 mil unidades) foi o menor em quatro anos – e a queda de 32% nas exportações no período.

Enquanto, no mercado interno, a demanda é afetada por avanço na taxa de juros, recomposição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e dificuldades na liberação do crédito à venda de caminhões, as barreiras argentinas afetam as vendas ao exterior.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) Luiz Moan, admitiu dificuldades no futuro e mostrou preocupação com os estoques. “Temos claramente de buscar uma redução nos próximos meses”, afirmou.

Em 2012, o volume parado nos pátios foi usado como argumento para as montadoras negociarem a redução do IPI com o governo. Na ocasião, os estoques eram de 45 dias. O benefício vem sendo parcialmente prorrogado desde então e será retirado por inteiro em julho. Moan descarta nova prorrogação. “O recado que nós recebemos do governo foi muito forte, de que haveria recomposição do IPI”, disse.

O esforço para reduzir os estoques já foi iniciado nas linhas de montagem. A produção terminou o trimestre com queda de 8,4%, em 789,8 mil unidades. Ao menos três montadoras de caminhões adotaram suspensão das atividades nas fábricas. A Mercedes-Benz comunicou aos funcionários que abrirá Programa de Demissão Voluntária (PDV) para reduzir excedente de duas mil pessoas na fábrica de São Bernardo.
Volkswagen, Peugeot e General Motors também adotaram medidas – entres férias e suspensão na produção – nas linhas de montagem de carros de passeio.

A Anfavea manteve a previsão anterior de crescimento de pouco mais de 1% no ano, tanto para vendas como para produção, mas admite “viés de baixa”. Entre as esperanças para recuperar vendas estão a retomada do leasing, para driblar a restrição do crédito, e ações de marketing de bancos e montadoras, como o feirão da Caixa Econômica Federal, que vai oferecer crédito pré-aprovado a 4 mil correntistas na próxima semana.

Preocupante
“O cenário que se desenha nos próximos meses é preocupante. Acho que as montadoras farão ajuste bem forte na produção daqui para frente”, afirmou Rodrigo Baggi, analista da Tendências. A consultoria revisou a projeção, de alta de 3%, para estabilidade. No ano passado, as vendas caíram pela primeira vez em dez anos, e a produção só avançou graças à contribuição das exportações, impulsionadas pelas compras da Argentina, responsável por 80% das vendas externas das montadoras do Brasil.

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