Blatter critica segurança na obra do Itaquerão | Diário Regional

Blatter critica segurança na obra do Itaquerão

04/04/2014 12:00
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Representantes da superintendência do MTE vistoriam a obra da Arena Corinthians - Foto: Cristiano Novais/Sigmapress/FolhapressO presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticou a falta de segurança no Itaquerão, onde o operário de Diadema Fabio Hamilton da Cruz, 23 anos, morreu após cair de uma altura de nove metros durante colocação das arquibancadas provisórias. “Temos problema com o estádio de São Paulo. Houve um acidente com uma pessoa que morreu, mas quando se trabalha em uma construção de dois ou mais metros é preciso ter a responsabilidade de dar segurança aos trabalhadores. Eles não fizeram isso”, disse o cartola.

O presidente da Fifa também descartou que a entidade tenha qualquer responsabilidade pelo acidente. “Quem é o responsável por isso? É a Fifa? Todo mundo aponta para a Fifa e não é válido. É uma condição básica dar aos trabalhadores as condições necessárias para fazer o trabalho. Nós não podemos ir a cada uma das construções e vigiar. Porém, o Brasil vai fazer um grande Mundial”, aliviou.

A área onde aconteceu o acidente está interditada. Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) dizem acreditar que a liberação das obras deve sair no início da próxima semana. Possivelmente, na segunda-feira. “Deve ser logo”, disse o superintendente regional do MTE em São Paulo, Luiz Antonio Medeiros.

Em reunião realizada ontem (3), representantes da Fast Engenharia, responsável pela colocação das arquibancadas, apresentaram documentos prometendo tomar as medidas de seguranças exigidas pelo MTE.

Porém, o Ministério Público de São Paulo afirma poder interditar o Itaquerão antes ou durante a competição. A alegação é de que a Odebrecht, construtora do estádio, não cumpriu as medidas de segurança exigidas pelo Corpo de Bombeiros. Diretores do Corinthians e da Odebrecht devem comparecer para uma reunião na próxima semana com José Carlos de Freitas, promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo.

Omissão

Por meio de nota, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, negou que o órgão tenha feito vistas grossas quanto a irregularidades na construção do Itaquerão. À Folha de S.Paulo, na quarta-feira, Medeiros afirmou “estar fazendo de conta que não vê” problemas na obra. “Se não fosse estádio da Copa do Mundo, (a Arena Corinthians) já teria sido interditado”, disse o superintendente regional.

“No estádio em São Paulo, foram planejadas e executadas nove operações de fiscalização, que resultaram na lavratura de autos de infração e na imposição de interdições”, afirmou a nota da assessoria do ministério.

Ontem, Medeiros voltou a falar em irregularidades na construção do estádio e disse ser “opinião pessoal”. A reportagem apurou que Dias ficou irritado com as declarações do superintendente. Os dois conversaram por telefone ontem pela manhã.

Família de operário pede indenização de R$ 1 milhão

A família do operário Fabio Hamilton da Cruz, de Diadema, morto no último sábado após cair de altura de nove metros durante colocação de arquibancadas provisórias do Itaquerão, vai pedir indenização de R$ 1 milhão e pensão vitalícia.

Segundo o advogado da família, Ademar Gomes, será movida uma ação trabalhista contra a WDS Construções, empresa terceirizada que atua na obra, e também contra a Fast Engenharia e a Odebrecht, construtora do estádio.
Ainda segundo o especialista, o valor financeiro pedido será por danos morais e materiais e a pensão solicitada será de, no mínimo, 40% do salário do operário, que era de R$ 1.067. “Devo até pedir mais do que isso, pois ele estava contratado como ajudante, mas fazia a função de montador”, afirmou.

O advogado disse ainda que Cruz trabalhava na Fast desde 23 de janeiro de 2014 e que o curso preparatório que a empresa alegou ter oferecido foi apenas teórico.



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