Dilma defende 'pactos' que garantiram fim da ditadura | Diário Regional

Dilma defende ‘pactos’ que garantiram fim da ditadura

01/04/2014 4:16
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Dilma: “por 21 anos nossos sonhos foram calados”. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Ex-guerri­lheira presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985), a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem (31) defender tanto os que “morreram e desapareceram” na luta contra o regime quanto os acordos políticos feitos para assegurar a redemocratização do país.

A manifestação de Dilma, no dia que marcou os 50 anos do golpe que derrubou o presidente João Goulart em 1964, ocorreu no fim de uma cerimônia no Palácio do Planalto para assinatura do contrato para construção de uma ponte em Porto Alegre (RS).

“Nós reconquistamos a democracia à nossa maneira, por meio de lutas e de sacrifícios humanos irreparáveis, mas também por meio de pactos e acordos nacionais”, disse Dilma em seu discurso.
“Assim como respeito e reverencio os que lutaram pela democracia, enfrentando a truculência ilegal do Estado – e nunca deixarei de enaltecer esses lutadores e essas lutadoras –, também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”, acrescentou.

Embora a presidente não tenha sido explícita, o discurso foi interpretado como sinal de seu apoio à Lei da Anistia, de 1979, que abriu caminho para a redemocratização ao conceder perdão a ex-guerrilheiros como ela e também a agentes da repressão.

Com a ajuda de procuradores que investigam os crimes da ditadura, familiares de militantes mortos e desaparecidos no período têm feito pressão sobre o sistema judiciário para que a lei seja revista e militares que participaram da repressão sejam punidos.

Em 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a lei fosse revista. A entidade planeja apresentar novo pedido ao STF neste ano.
Quando instituiu a Comissão da Verdade, em 2012, Dilma defendeu a conciliação no fim do regime autoritário, mas nunca foi direta ao defender ou renegar a Lei da Anistia.

Pesquisa feita pelo Datafolha e divulgada ontem mostrou que 46% dos brasileiros são a favor da anulação da Lei da Anistia. Outros 37% se dizem contra a revisão da lei.
Sem citar os nomes, Dilma fez referência em seu discurso aos dois antecessores que também foram perseguidos pela ditadura, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

Dilma integrou grupos que participaram da luta armada contra o regime na segunda metade da década de 1960. Foi torturada na prisão e ficou presa três anos após ser condenada pela Justiça Militar.
“Cinquenta anos atrás, na noite de hoje (ontem), o Brasil deixou de ser um país de instituições ativas, independentes e democráticas. Por 21 anos, mais de duas décadas, nossas instituições, liberdade, nossos sonhos foram calados”, afirmou Dilma.

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