Ministro russo diz que governo não pretende enviar tropas à Ucrânia | Diário Regional

Ministro russo diz que governo não pretende enviar tropas à Ucrânia

30/03/2014 7:30
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 Lavrov: “não temos intenção de cruzar as fronteiras da Ucrânia”. Foto: ArquivoA Rússia não tem intenção de mandar suas forças armadas para o território da Ucrânia, embora esteja pronta para proteger os direitos dos representantes russos na ex-república soviética, afirmou ontem (29) em entrevista o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

“Não temos absolutamente nenhuma intenção de, ou interesse em, cruzar as fronteiras da Ucrânia’’, disse Lavrov a um canal de televisão russo. Tropas russas ocupam a Crimeia, território anexado por Moscou neste mês. De acordo com estimativas dos Estados Unidos, mais de 40 mil soldados russos estão nas proximidades da fronteira com a Ucrânia.

Ameaças
De acordo com a Agência Reuters, a Rússia ameaçou vários Estados do Leste Europeu e da Ásia Central com retaliações se votassem a favor de uma resolução da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas nesta semana declarando inválido o referendo da Crimeia sobre a secessão da Ucrânia. As revelações sobre as ameaças russas surgiram depois que Moscou acusou países ocidentais de usarem “pressão descarada, até o ponto de chantagem política e ameaças econômicas’’, em tentativa de coagir os membros da ONU, formada por 193 nações, a darem seu apoio à resolução sobre a crise na Ucrânia.

De acordo com entrevistas com diplomatas da ONU a maioria preferiu falar sob condição de anonimato por medo de irritar Moscou, os alvos das ameaças russas incluíam Moldávia, Quirguistão e Tadjiquistão, bem como alguns países africanos. Um porta-voz da missão da Rússia na ONU negou que o governo russo tivesse ameaçado qualquer país com represálias se apoiasse a resolução, dizendo: “Nunca ameaçamos ninguém. Apenas explicamos a situação.’’

De acordo com os diplomatas, as ameaças russas não eram específicas. Porém, teria ficado claro para os representantes dos países que, caso apoiassem a resolução, poderiam sofrer retaliações como a expulsão de imigrantes que vivem na Rússia, corte no fornecimento de gás e bloqueios econômicos. No fim, a resolução ucraniana que declarou como inválida a votação realizada em 16 de março na Crimeia, em favor da separação da Ucrânia, foi aprovada com 100 votos a favor, 11 contra e 58 abstenções. Outros 24 Estados membros não votaram.

Sucesso
Diplomatas ocidentais definiram o resultado como um sucesso diplomático para a Ucrânia. Votação similar à da Assembleia-Geral foi realizada em 2008, depois que a Rússia entrou em guerra com a Georgia sobre o enclave separatista da Ossétia do Sul, que mais tarde declarou a independência e procurou, sem sucesso, anexação à Rússia. Essa resolução foi aprovada com apenas 14 votos a favor, 11 contra e 105 abstenções.

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