Instituto Vladimir Herzog realiza recital para relembrar os 50 anos do golpe | Diário Regional

Instituto Vladimir Herzog realiza recital para relembrar os 50 anos do golpe

30/03/2014 7:32
Print Friendly

Ursula interpretará o brasileiro Claudio Santoro e o norte-americano Frederic Rzewski. Foto: DivulgaçãoA pianista norte-americana Ursula Oppens apresenta hoje (30), na Sala São Paulo,  recital para relembrar os 50 anos do golpe militar no Brasil. O evento,  parceria da Orquestra Sinfônica de São Paulo, integra a série de Concertos Especiais da Temporada 2014 da  Osesp.

A pianista norte-americana apresentará as 36 variações de Frederic Rzewski para a canção de protesto chilena O Povo Unido Jamais será Vencido!, composta por Sergio Ortega, além de composições do brasileiro Claudio Santoro (1919-1989)

Nascida em Nova York, Ursula Oppens é uma das mais respeitadas pianistas da atualidade, sendo reconhecida principalmente por dominar tanto o repertório clássico como o contemporâneo, Oppens já foi indicada a quatro Grammys, a principal premiação da indústria mundial da música.

A pianista sobressai muito mais por suas atividades acadêmicas, na Universidade Northwestern ou no Conservatório do Brooklyn College, e por gravações e recitais com autores contemporâneos, como Tobias Picker, Elliott Carter, Joan Tower ou Allen Shawn.

Oppens foi escolhida para a estreia mundial de peças para piano de 26 compositores americanos. Também gravou, embora com uma frequência menor, compositores mais conhecidos, de Beethoven a Stravinsky, de Mozart a Schoenberg.

 

Santoro

Claudio Santoro, nascido no Amazonas, é um compositor fundamental na música brasileira do século 20. Frequentou nos anos 1940 a música atonal, trazida por Joachim Koellreutter e que estruturou, por aqui, uma corrente que buscava inserção nas vanguardas europeias.

A partir dos anos 1950, Santoro voltou a escrever segundo a gramática tonal, associada ao nacionalismo, dentro do qual ainda trabalhavam Villa-Lobos, Guarnieri ou Osvaldo Lacerda.

Em sua guinada, Claudio Santoro aderiu aos padrões estéticos recomendados pelo Partido Comunista Brasileiro, do qual foi próximo, e o que lhe custou, em 1948, o veto para um visto de entrada nos Estados Unidos.

Esses dois períodos estarão presentes no recital de Ursula. Do primeiro, quatro “Peças para Piano”, escritas em 1943, e a “Pequena Tocata”, de 1942. Ao segundo pertencem os 12 movimentos dos “Prelúdios”, que datam de 1957 a 1963.

A segunda parte do recital terá as 36 variações para piano que Rzewski escreveu, em 1975, para a canção chilena de protesto “O Povo Unido Jamais Será Vencido”, de Sergio Ortega e do grupo Quilapayún.

A peça foi dedicada a Ursula Oppens, que a estreou em Washington em 1976. Gravado pela pianista três anos depois, o disco recebeu da revista “Record World” o prêmio de gravação do ano e uma indicação ao Grammy.

Rzewski não teve como referência a ditadura brasileira, mas levou à música contemporânea americana o golpe militar de 1973 no Chile, que instituiu a sangrenta ditadura do general Augusto Pinochet.

Serviço: 50 Anos do Golpe Militar – O Povo Unido Jamais Será Vencido! Quando: hoje (30, às 21h. Onde: Sala São Paulo, Praça Júlio Prestes, 16. Telefone: 3223-3966.

 

Palavras-chave:


Comente esta matéria


Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários discriminatórios ( contra raça, sexualidade, cor, crença e outros) , que violem a lei, a moral e os bons costumes poderão ser denunciados pelos internautas , removidos ou não publicados pela redação.
%d blogueiros gostam disto: