Setor elétrico defende economia para garantir fornecimento durante a Copa | Diário Regional

Setor elétrico defende economia para garantir fornecimento durante a Copa

29/03/2014 12:09
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O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, afirmou ontem (28) que o Brasil deveria “intensificar” a economia de energia. A previsão oficial é de que os brasileiros consigam reduzir em até 3% o previsto para consumo neste ano. Porém, para o executivo, essa redução poderia potencialmente chegar a 10%.

A declaração do presidente da estatal foi dada um dia após o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ter dito ao jornal norte-americano Wall Street Journal que, caso as reservas das hidrelétricas não aumentem consideravelmente nos próximos meses, o governo poderá pedir à população que reduza voluntariamente o consumo, para garantir o fornecimento durante a Copa do Mundo.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia disse que “o sistema elétrico brasileiro dispõe de equilíbrio estrutural capaz de garantir, sem restrições, o abastecimento do país” e que, a despeito do quadro atual equilibrado, o ministro “não se recusaria a recomendar à população que siga seu exemplo pessoal de evitar o desperdício” de energia elétrica.

O governo reforçou ainda que montou plano especial para garantir as condições necessárias e adequadas ao atendimento das 12 cidades-sede durante o Mundial.

Racionalização

“A racionalização de energia nós temos de ter sempre. Temos de lutar por isso independentemente da condição dos reservatórios”, disse Carvalho Neto. “Não temos de gerar energia para desperdiçar. Energia é para crescer, para o conforto, para o lazer”, continuou.

Segundo o presidente da Eletrobras, a meta brasileira já prevê que, em 2030, seja possível economizar 10% sobre o consumo estimado para o ano. “Neste ano, essa economia deve ficar entre 2,8% e 3%”, comentou Carvalho Neto.
Segundo reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo, o governo já traçou os piores cenários para o setor elétrico caso o ritmo e a quantidade de chuva neste ano não sejam suficientes para reabastecer os reservatórios das usinas hidrelétricas.

A conclusão é de que, caso o volume de chuvas no país feche o ano próximo aos menores níveis já verificados nos últimos 82 anos, a demanda dos consumidores só será suprida mantendo todas as térmicas do sistema ligadas de março a novembro.

Só três cidades-sede concluíram obras de reforço

Em apenas três das 12 cidades que receberão os jogos da Copa do Mundo, em junho, as obras de reforço do sistema elétrico já foram concluídas. Os gargalos de cada cidade foram levantados pelas próprias distribuidoras, diante das exigências da Fifa e para elevar a confiabilidade do sistema – evitando, assim, falhas ou apagões durante a realização dos jogos. Os projetos eram apontados como “prioritários”.

Das 160 obras previstas pelas distribuidoras para a Copa do Mundo, 43% ainda não haviam sido concluídas em janeiro. Os dados constam do último relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que vem acompanhando o desempenho desde 2011.

A distribuidora Celpe, que atende Recife (PR); a Cosern, em Natal (RN), e a Coelce, em Fortaleza (CE), foram as únicas a concluir todas as obras propostas. Ao todo, elas realizaram 12 projetos de reforço no sistema elétrico.

A situação mais crítica é da CEEE-D, que atende Porto Alegre (RS). Diante dos atrasos nas obras, a distribuidora decidiu enxugar os empreendimentos inicialmente listados. Das 22 obras previstas, apenas oito serão executadas. Até janeiro, somente duas estavam concluídas.

Questionada pela Aneel, a empresa informou que as oito obras são suficientes para garantir a confiabilidade do sistema de fornecimento de energia. No documento a agência reguladora destaca, contudo, que o projeto que garantirá a principal fonte de alimentação do estádio Beira-Rio ainda está pendente e tornou-se “fundamental”.

A construção da Subestação Menino Deus tinha apenas 58% das obras civis concluídas e 10% da montagem realizada. A previsão de conclusão é abril de 2014, dois meses antes do início dos jogos. Segundo a agência, não é possível acomodar mais nenhum atraso neste projeto. A reguladora afirma ainda que desde janeiro de 2013 a execução das obras da CEEE-D “não apresenta grande evolução”.

A Copel, que atende Curitiba, é outro caso de distribuidora que acumula atrasos. A companhia havia concluído apenas quatro das 18 obras programadas. Cinco sequer foram iniciadas. A agência afirma que “grande quantidade de obras”, inclusive as que atendem a arena de Curitiba, tem previsão de conclusão somente em abril.



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