Taxa de desemprego sobe pelo 3º mês seguido no ABC | Diário Regional

Taxa de desemprego sobe pelo 3º mês seguido no ABC

27/03/2014 11:26
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Alexandre Loloian: “Há dados intrigantes, como o comportamento da PEA” - Foto: Divulgação/ConsórcioA taxa de desemprego no ABC registrou o terceiro aumento mensal consecutivo e passou de 8,9% em janeiro para 10,3% no mês passado. Se o movimento é usual para o período, a magnitude da alta –1,4 ponto porcentual – surpreendeu os técnicos da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgaram ontem (26) os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).

Outros dois movimentos do mercado de trabalho do ABC também chamaram atenção ontem, no Consórcio Intermunicipal: a queda acentuada de 2,4% no contingente de ocupados, que resultou no corte de 31 mil vagas; e a saída de 13 mil pessoas da força de trabalho – ou seja, desempregados que deixaram de procurar emprego – em um mês em que, usualmente, há aumento nesse indicador. Como resultado, o contingente de desempregados cresceu 14,3%, para 144 mil pessoas.

Não fosse a redução da força de trabalho, também conhecida como População Economicamente Ativa (PEA), o aumento da taxa de desemprego teria sido bem maior. “Há dados intrigantes, como o comportamento da PEA, que teve variação negativa embora, usualmente, mostre-se positiva nesse período”, disse o coordenador da PED pela Fundação Seade, Alexandre Loloian. “A informação de que o emprego não está fácil desestimula as pessoas a procurar ocupação”, analisou.

O quadro não é exclusivo do ABC. Entre janeiro e fevereiro de 2014, a taxa de desemprego também aumentou na Região Metropolitana (de 9,6% para 10,6%), na Capital (9,2% para 10,1%) e nos demais municípios da Grande São Paulo, exceto a capital (de 10,2% para 11,3%).

No corte por atividades econômicas, a redução na ocupação foi generalizada: na indústria de transformação (queda de 4,1%, ou corte de 14 mil postos); nos Serviços (-2,5%, ou fechamento de 16 mil vagas) e no Comércio e Reparação de Veículos (-2,3%, ou eliminação de 5 mil empregos).

No entanto, a ocupação na indústria metalmecânica, que representa 50% dos empregos fabris na região, manteve-se estável no período, com 173 mil trabalhadores. “O desemprego na indústria ocorreu em outros subsetores que não o metalmecânico, como vestuário, alimentação e bebidas. São setores de baixa resistência à concorrência internacional e mais suscetíveis à ocupação do mercado interno por produtos importados”, explicou Loloian.

Preocupante

Apesar de considerar o comportamento do mercado em fevereiro “preocupante”, Loloian creditou a movimentação negativa a um cenário de transição econômica e ajustes das empresas. “Em todo início de ano há redução do nível de ocupação. As empresas refazem seu planejamento, reavaliam o mercado internacional e interno. Passado esse período de balanço, voltam a contratar”, disse o coordenador da PED, ressaltando mais um dado que reforçaria essa percepção: “Não vamos esquecer que o desemprego campeia no mundo inteiro, e aqui não”, acrescentou.

No setor privado, caiu o emprego com carteira de trabalho assinada (-3,3%) e cresceu o sem carteira (2,9%) pelo segundo mês consecutivo. “Há muito tempo a pesquisa não captura esse tipo de comportamento”, disse Loloian, destacando que o dado deve ser conjuntural, uma vez que o nível de emprego com carteira ainda é 70% superior ao de 2000.

Por outro lado, na passagem de dezembro de 2013 e janeiro de 2014, permaneceu relativamente estável o rendimento médio real dos ocupados (alta de 0,1%) e aumentou o dos assalariados (2,1%), os quais passaram a equivaler a R$ 2.153 e R$ 2.080, respectivamente.



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