Prestação de contas em Diadema acaba em confusão | Diário Regional

Prestação de contas em Diadema acaba em confusão

27/03/2014 10:15
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Em meio à discussão, José Augusto alegou estar passando mal ao encerrar a audiência - Foto: Eberly Laurindo especial para o DRA audiência de prestação de contas da saúde realizada ontem (26) na Câmara de Diadema terminou em discussão entre munícipes, oposição e o secretário da pasta, José Augusto da Silva Ramos, o Zé Augusto (PSDB). O bate-boca irritou o secretário, que acabou alegando mal estar para encerrar o evento.

A apresentação dos números da secretaria (despesas e atendimentos) não foi suficiente para os vereadores da oposição e munícipes que assistiam à audiência. A tensão começou quando uma senhora entrou no auditório se dirigindo diretamente ao secretário. “Faz quase um ano e meio que não tem nem pediatra, nem médico geral no pronto atendimento do Eldorado”, destacou Yaeco Sakihama, 70 anos, moradora do bairro.

A senhora afirmou que o marido já havia passado mal e teve de buscar atendimento no Centro da cidade por causa da falta de médicos na área. “Tem dois cubanos lá. Não é o suficiente, mas a qualidade é boa”, respondeu Zé Augusto. Insatisfeita, Yaeco saiu da Câmara dizendo que iria ao PS Eldorado verificar a afirmação do secretário.

Confusão

Após a apresentação o secretário abriu o espaço para perguntas do público. Os primeiros questionamentos vieram do presidente do Conselho de Saúde da casa, José Antonio da Silva, o Zé Antonio (PT), da conselheira de Saúde Claudemira de Moura e do líder da oposição, Josemundo Queiroz, o Josa (PT). Os três questionaram, respectivamente, sobre o problema da falta de médicos após 87 profissionais saírem do município, a paralisação das obras da Unidade Básica de Saúde (UBS) Maria Tereza (Campanário), da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Paineiras, e sobre o destino da diferença entre o total de despesas e o total acumulado de receita da secretaria em 2013, mais de R$297 milhões.

O secretário iniciou sua resposta alegando, novamente, que o problema com os médicos é que a cidade não oferece salários atrativos. Zé Augusto ainda aproveitou para culpar a administração anterior pelos problemas, dizendo que o último concurso de contratação de médicos foi organizado pelo governo petista, apontando também os feitos de sua gestão como prefeito na década de 1990. A explicação foi interrompida pela oposição, ao afirmar que o secretário estava “enrolando” para responder. “Você deve ter inveja do que eu sou. Só vou responder sobre o que vim apresentar aqui”, disse o tucano se referindo à Josa e ameaçando abandonar o evento.

O líder da oposição se irritou quando o secretário alegou que a paralisação das obras da UBS do Campanário se devia à falta de pagamento para a empresa responsável pela construção. “Já é a terceira desculpa diferente”, criticou Josa. O secretário e o líder de governo na Câmara, José Francisco Dourado, o Zé Dourado (PSDB), passaram a trocar acusações de falta de respeito com os membros da bancada petista e com os munícipes. Zé Augusto relembrava a todo o momento o discurso de que a gestão anterior foi negligente e ameaçava abandonar a audiência. “Você está só enrolando e não responde nada”, acusou Josa.

Com a confusão, o secretário começou a dizer que estava se sentindo mal, sugerindo que poderia estar com a pressão alta e que isso resultaria em um Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Você ainda vai me elogiar”, disse Zé Augusto ao sair da Câmara apontando para Josa.

Funcionários representam 64% dos gastos na saúde

O secretário de Saúde de Diadema, José Augusto (PSDB), apresentou durante audiência tabelas com os gastos dos departamentos e atividades do sistema de saúde municipal, além dos números de atendimentos. Os dados eram referentes ao último quadrimestre de 2013 e também ao acumulado total do ano.

Segundo Zé Augusto, o total de despesas em 2013 foi de mais de R$283 milhões. A maior parte custeada pelo próprio município, que arca com 74,49% das despesas, o governo federal com 25,09% e o estadual com 0,42%. A maior parte dos gastos, 64,38%, é com pessoal e reflexos (funcionários, obrigações patronais, auxílio transporte e alimentação e departamento pessoal). Já o menor gasto da secretaria é com investimentos, realização de obras, instalações e compra de materiais permanentes, que representam apenas 0,82% das despesas.

Os números mostram total de 90.640 atendimentos na rede municipal em 2013. “Fico contente de prestar contas porque temos aumentado a produção”, pontuou.

 



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