Caixa acelera o 'Minha Casa' para famílias de baixa renda do ABC | Diário Regional

Caixa acelera o ‘Minha Casa’ para famílias de baixa renda do ABC

27/03/2014 11:32
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Segundo a Caixa, há projetos em análise na superintendência que somam 10 mil unidades - Foto: ArquivoA Caixa Econômica Federal acelerou, no ABC, a contratação de imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida voltados à população de baixa renda, na qual se concentra o déficit habitacional da região. Em 2013 foram assinados 11 empreendimentos, que totalizam 2.250 unidades. Esse volume representa 40,3% dos 5.578 imóveis destinados a famílias com renda mensal até R$ 1,6 mil (Faixa 1) contratados desde o início do programa, em março de 2009.

A expectativa, para a região, é de contratar outras 6 mil unidades na Faixa 1 – a chamada habitação de interesse social – somente no primeiro semestre deste ano. Para isso, existem projetos em análise na superintendência regional da Caixa no ABC que somam cerca de 10 mil imóveis.

Segundo a meta do Minha Casa, 60% dos imóveis devem ser destinados a famílias de baixa renda. Porém, dos 17.538 imóveis contratados no ABC no âmbito do programa desde 2009, apenas 31,8% (5.578) foram destinadas a famílias com renda até R$ 1,6 mil.

O principal entrave para o avanço do programa na Faixa 1 é o descolamento entre os custos de produção – em especial os preços dos terrenos, proibitivos na região – e os valores estipulados pelo governo. A melhora no desempenho do programa nessa faixa de renda tem sido possível devido à integração com as prefeituras e com o governo do Estado, por meio do programa Casa Paulista, que disponibiliza subsídio complementar ao oferecido pelo governo federal.

“Em 2013, o entrosamento entre as esferas de poder foi total. O governo do Estado entrou fortemente com os recursos do Casa Paulista e as prefeituras disponibilizaram terrenos públicos e verba municipal, o que possibilitou a viabilização de mais empreendimentos para a Faixa 1”, comentou ontem (26) o gerente regional de construção civil da Caixa, Rafael Toneli Arcanjo. Na última terça-feira, por exemplo, Caixa, Prefeitura de São Bernardo e governo do Estado assinaram contrato que viabiliza a construção de 800 unidades em terreno do bairro Cooperativa.

Classe média

No sentido contrário houve desaceleração no volume de contratações nas Faixas 2 e 3, destinadas à classe média, uma vez que as construtoras não conseguem “fechar a conta” nesses projetos, devido ao valor máximo do imóvel a ser financiado (até R$ 190 mil).

Segundo a superintendência regional da Caixa, o Minha Casa teve imóveis contratados em cinco dos sete municípios desde o começo do programa: Santo André (4.735 unidades), Mauá (4.698), São Bernardo (4.315), Diadema (3.333) e São Caetano (457).

Porém, em apenas quatro municípios a Faixa 1 foi contemplada: Santo André (1.528 unidades), Diadema (1.478), Mauá (1.352) e São Bernardo (1.220). Desde 2009, a contratação de imóveis para a população de baixa renda somou R$ 445,4 milhões na região.

A instituição tenta viabilizar empreendimentos em Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, mas há dificuldade para obtenção de terrenos devido ao fato de grande parte do território dos dois municípios estar localizada em área de manancial. Ainda de acordo com a superintendência regional, a inadimplência no Minha Casa é de 0,5% na Faixa 1 e de 2,1% nas Faixas 2 e 3.

Banco planeja inaugurar seis agências neste ano

A Caixa Econômica Federal pretende inaugurar mais três agências em 2014 na região, em Santo André (Perimetral) e São Bernardo (Riacho Grande e Caminho do Mar), segundo balanço divulgado ontem (26) pela superintendência regional da instituição no ABC.

No ano passado, a instituição inaugurou nove unidades na região e, em 2014, outras três foram abertas em Diadema (Eldorado), São Bernardo (Castelo Branco) e São Caetano (Prosperidade).

Atualmente, a rede de atendimento da Caixa no ABC é composta de 624 pontos, sendo 55 agências, uma superintendência, três postos de atendimento bancário, 19 pontos de atendimento eletrônico (PAEs), 155 lotéricos e 392 correspondentes Caixa Aqui.

Ainda segundo a instituição, o crédito imobiliário somou R$ 2,1 bilhões no ABC em 2013, com crescimento de 17% sobre o R$ 1,8 bilhão concedido no ano anterior. Do total do ano passado, R$ 1,6 bilhão foi contratado com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

No crédito comercial, o destaque foi o consignado, que teve evolução de 31,6% em 2013, com R$ 395 milhões contratados. “As sete prefeituras da região têm convênio de crédito consignado com a Caixa. Mauá e Rio Grande da Serra fecharam essa acordo com o banco em 2013”, lembrou o gerente regional de construção civil da Caixa, Rafael Toneli Arcanjo. O Financiamento Caixa Auto, por sua vez, teve incremento de 93%, com R$ 26,3 milhões.

O número de correntistas na região cresceu 12% no ano passado, passando de 1,047 milhão para 1,174 milhão de pessoas.

Lucro cresceu 19,2% em 2013 e chegou a R$ 6,7 bilhões

A Caixa informou ontem (26), durante entrevista coletiva concedida na Capital, que obteve lucro líquido de R$ 6,7 bilhões no ano passado, 19,2% maior do que o registrado em 2012. Esse é o resultado ajustado, ou seja, que retira os efeitos de mudança contábil relativa ao tratamento do saldo das contas de depósitos encerradas por irregularidades cadastrais (CPF/CNPJ irregulares). Sem os ajustes, o lucro cresceu 10,8% no ano passado.

“Mais uma vez, os números confirmam o acerto da estratégia da Caixa, para ganhar escala, de diversificar seu portfólio e ocupar espaço compatível com sua capacidade operacional”, afirmou o presidente do banco, Jorge Hereda, durante a coletiva.

A carteira de crédito da Caixa aumentou 36,8%, ante 42% de expansão no ano anterior, para R$ 494,2 bilhões. A previsão do banco é de reduzir a ampliação da carteira de crédito para intervalo entre 22% e 25% neste ano. Isso se deve ao próprio aumento já verificado no passado na carteira de empréstimos, justificou Hereda. “É muito mais fácil crescer uma carteira que, em 2008, era de R$ 78 bilhões, do que ampliar hoje uma carteira de R$ 492 bilhões, que é a segunda maior do país.”

O governo federal não deve aportar novos recursos no banco neste ano, uma vez que enfrenta dificuldades na gestão de suas finanças. Hereda disse, contudo, que a Caixa não precisa de capital novo do governo neste ano para cumprir suas metas de crescimento da carteira de crédito. “Damos crédito com recursos que captamos. Não dependemos do governo federal para dar crédito”, disse.

A inadimplência total (acima de 90 dias) da Caixa ficou em 2,3%, acima dos 2,1% vistos no final de 2012. O movimento foi na contramão do observado pelo Banco do Brasil, que viu o nível de calote passar de 2,05% em 2012 para 1,98% em 2013. Segundo Hereda, a redução se deve à qualidade da carteira da Caixa, que atua em segmentos de menor risco, como consignado, crédito habitacional e financiamento habitacional, que representam 80% do total.



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