Suicídio quântico, que que isso? | Diário Regional

Suicídio quântico, que que isso?

25/03/2014 5:00
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suicídio quântico, por mais maluco que pareça, foi proposto pelo físico teórico Max Tegmark em 1997. Trata-se de uma teoria apenas — ainda bem! —, e como tal, consiste apenas de uma situação hipotética. Afinal, apesar de não faltar gente doida nesse mundo que talvez se voluntariasse alegremente em dar a vida em nome da ciência, seria um pouco… difícil replicar o suicídio de forma prática. Você já vai entender o motivo.

Imagine um homem sentado diante de uma pistola apontada para a cabeça. Além disso, imagine que essa arma está conectada a um dispositivo que mede a rotação de uma partícula quântica — ou quark — cada vez que o homem puxa o gatilho e, dependendo da medição realizada, a pistola pode ou não disparar. Calma… a coisa fica ainda mais estranha!

Click, click…

Caso a medição aponte que a partícula quântica está girando no sentido horário, isso significa que a arma vai disparar. Por outro lado, se o quark estiver girando no sentido anti-horário, então a pistola apenas fará um “click”, mas não disparará nenhum projétil. Voltando ao homem sentado com a arma apontado para a cabeça, ele prende a respiração nervosamente — afinal, imagine a situação! — e puxa o gatilho. Click.

Não satisfeito, ele puxa o gatilho novamente e, de mais uma vez, outro click. De acordo com Tegmark, embora a arma esteja carregada e funcionando corretamente, o “suicida quântico” continuará fazendo isso por toda a eternidade sem que a arma dispare, tornando-se imortal. Espere, caro leitor, tem mais…

Bang!

Agora imagine que uma nova medição da partícula quântica é feita e ela aponta que o quark está girando no sentido anti-horário — coitado do homem… Neste caso, como você já deve ter imaginado, o suicida puxa o gatilho, a arma faz “bang” e ele está morto, não é mesmo? Então, não necessariamente. A situação é um paradoxo!

Conforme explica Tegmark em sua teoria, o homem já havia puxado o gatilho antes — infinitas vezes, lembra? — e já sabemos que a arma apenas fez “click”, não disparou e ele se tornou imortal. Portanto, como é que ele pode estar morto? É aqui que a coisa fica interessante: segundo o físico, o suicida não sabe, mas ele está vivo e também morto ao mesmo tempo.

Isso porque cada vez que o homem puxa o gatilho, o Universo se divide em dois, e continuará se dividindo indefinidamente cada vez que o suicida puxar o gatilho. Hein? Segundo o How Stuff Works, para estudar as partículas os cientistas se apoiam em experimentos hipotéticos — em vez de evidências empíricas — para explicar seu comportamento, e teorias como a que você acabou de conferir são criadas a partir de dados observados na física quântica justamente para isso.

Maluquice

A teoria do suicídio quântico está baseada na ideia de que existem Múltiplos Universos — ou Multiverso. Essa hipótese surgiu na década de 50 e, por muito tempo, foi motivo de piada. Entretanto, a teoria vem sendo cada vez mais aceita pelos físicos quânticos e, de acordo com ela, para cada resultado possível de uma ação, o Universo se divide em uma cópia de si mesmo.

Um aspecto importante dessa teoria é que o sujeito envolvido nas ações não é consciente de que existe outra versão dele mesmo em outro Universo, e vice-versa. Assim, no caso do suicídio quântico, quando o homem puxa o gatilho, o Universo se divide em dois para acomodar os dois possíveis resultados dessa ação. Quando o sujeito morre, então o Universo não tem por que se dividir mais, enquanto que o ciclo se repete quando a arma não dispara, infinitamente.

Com teorias assim, fica fácil imaginar o que os cientistas querem dizer quando afirmam que o que foi observado até agora em nível quântico gera mais perguntas do que respostas sobre o comportamento das partículas. Veja os fótons, por exemplo, que, segundo os físicos, se comportam como onda e como partícula ao mesmo tempo. Isso sem falar que as partículas parecem se mover em ambas as direções simultaneamente.



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