Quase 50% dos alunos passam de ano sem aprender a matéria em SP | Diário Regional

Quase 50% dos alunos passam de ano sem aprender a matéria em SP

25/03/2014 8:47
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Segundo pesquisa,estudantes ficaram sem aula seis vezes ao mês devido à falta de professor - Foto: ArquivoQuase metade (46%) dos alunos da rede estadual de ensino do estado paulista admite que já passou de ano sem ter aprendido a matéria, indica pesquisa divulgada ontem (24) pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Além disso, o levantamento que avalia a qualidade da educação das escolas no estado mostra que 94% dos pais, 75% dos alunos e 63% dos professores criticam a progressão continuada.

Foram feitos oito grupos de discussão e 2,1 mil entrevistas, divididas em três grupos: professores de escolas estaduais de ensino fundamental e médio, alunos de 14 anos ou mais dessas escolas e os respectivos pais ou mães. A pesquisa foi encomendada pelo sindicato ao Instituto Data Popular.

O estudo mostra também que, em média, os estudantes ficaram sem aula seis vezes ao mês devido à falta de professor. Além disso, 64% indicam que esse horário vago não é preenchido por um professor substituto. Em relação ao maior problema enfrentado atualmente na rede escolar, a falta de segurança foi o item mais destacado pelos três segmentos de entrevistados. Esse é o principal entrave para 32% dos professores, 37% dos pais e 25% dos alunos.

A Secretaria de Educação do estado disse, por meio de nota, que acredita em uma atuação conjunta, envolvendo polícia, comunidade escolar e família, para o enfrentamento à violência nas escolas. Informou que a pasta tem 2.688 professores especializados em prevenir conflitos, que são capacitados para criar ações preventivas nas escolas e aproximar a comunidade das unidades de ensino. Na avaliação do órgão, o modelo de progressão continuada foi aperfeiçoado no fim do ano e as possibilidades de retenção foram ampliadas, permitindo que eventuais defasagens de conhecimento sejam corrigidas mais prematuramente.

Progressão continuada

Apesar de os integrantes do corpo escolar terem manifestado na pesquisa forte rejeição ao modelo de progressão continuada, a Apeoesp avalia que e não deve ser descartado, mas, sim, revisto. O estudo, que avalia a qualidade da educação nas escolas do estado paulista, aponta que 94% dos pais, 75% dos alunos e 63% dos professores criticam o sistema pedagógico formado por ciclos, nos quais os estudantes passam automaticamente para a etapa seguinte.

“Não temos como ser a favor desse (modelo de progressão continuada) que está aí. Vai ao encontro do que foi mostrado na pesquisa: quase 800 mil alunos passam sem saber da matéria”, destacou a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, ao criticar o foco do modelo no ato de aprovar ou reprovar os alunos. “(O modelo) deve ser entendido como um conjunto de medidas que caminham para a progressão”, declarou. Izabel avaliou que a mudança anunciada no ano passado pelo governo estadual, que ampliou os ciclos de dois para três, aumentando a possibilidade de reprovação, não são suficientes. “Junto com essas alterações precisa ter um conjunto de medidas para chegar a um desenvolvimento pleno desses jovens em cada ciclo”, pontuou. Destacou, ainda, a necessidade de compor conselhos de classe para que a avaliação dos alunos seja feita conjuntamente com professores de diferentes disciplinas.

A pesquisa revelou que a falta de segurança é o principal problema da rede estadual de ensino, tendo sido citada por 32% dos professores, 37% dos pais e 25% dos alunos. A progressão continuada (11%) aparece em segunda posição entre os educadores e, em terceiro, a falta de estrutura (8%). Para os responsáveis, os alunos desrespeitosos (14%) e a falta de professores (10%) foram os itens considerados mais problemáticos. Já os estudantes citaram os alunos desrespeitosos (23%) e a falta de interesse dos alunos (10%).

Sobre o fator que mais interfere na qualidade da educação, os entrevistados indicaram, em primeiro lugar, a qualificação e preparo dos professores. Esse item foi destacado por 39% dos professores, 34% dos pais e 40% dos alunos.



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