Possibilidade de racionamento põe indústria paulista em alerta | Diário Regional

Possibilidade de racionamento põe indústria paulista em alerta

23/03/2014 9:37
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A possibilidade de faltar água de modo continuado em São Paulo já coloca as indústrias em alerta. Micro e pequenas empresas devem ser as mais prejudicadas em caso de racionamento, mas até multinacionais, como a General Motors, estão preocupadas. Matéria-prima de setores como bebidas e alimentos, a água é insumo essencial em vários segmentos industriais.

O que as empresas mais prescindem é de informação. A falta de previsões é o que mais as atemoriza. Em Jundiaí, a regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) vem mantendo contato diário com o Departamento de Água e Esgoto (DAE) para monitorar os reservatórios e se preparar para eventual corte no fornecimento de água. “Não dá para uma indústria se preparar como uma família”, afirmou Mauritius Reisky, diretor do Ciesp Jundiaí.

O acesso à informação é, para o vice-diretor do Ciesp São Caetano, William Pesinato, um dos aspectos que diferencia grandes e pequenas empresas – essas últimas dependeriam da mídia. Além de menos previsões, as pequenas empresas não têm recursos nem estrutura para continuar a produção sem água.

Enquanto as maiores podem recorrer a poços artesianos e sistemas de reúso, indústrias de menor porte não conseguem incluir esses itens no orçamento. “Todo problema que afeta a indústria atinge mais as micro e pequenas”, disse Rogério Grof, diretor de relações institucionais do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi). “Elas têm menor acesso a crédito, que poderia viabilizar obra para mi­ni­mizar a falta de água, como um poço artesiano.”

Mesmo multinacionais, co­mo a GM – com unidade em São Caetano, afetada por corte –, mostram preocupação. “Racionamento é um cenário para o qual não temos alternativa”, disse Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul.

Outras fontes
Em Guarulhos, o fornecimento entrou em sistema de rodízio neste mês. Porém, em fevereiro, o efeito do período seco já era sentido na cidade. “A água só chega das 21h às 6h”, disse João Possenti, sócio-diretor da caldeiraria Komec. “Os funcionários não conseguem tomar banho antes de ir para casa.” Apesar das consequências do rodízio, o Ciesp local diz que a falta de abastecimento não é nova na cidade. Muitas indústrias têm outras fontes de água porque não confiam no abastecimento.

O superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Guarulhos, Afrânio de Paula Sobrinho, disse que o problema acompanha o crescimento da região. “A demanda é superior à oferta”, argumentou.
Em Campinas, a farmacêutica MSD parou de captar de água no rio Atibaia. “Para manter atividades em funcionamento, a MSD está contratando caminhões-pipa”, disse a empresa. Para o diretor do Ciesp Campinas, José Nunes, o pior ainda está por vir. “O problema vai surgir mesmo em agosto, no período de seca”, previu.

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