Vicentinho reúne líderes religiosos em S.Bernardo | Diário Regional

Vicentinho reúne líderes religiosos em S.Bernardo

22/03/2014 13:39
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Vicentinho: “eu também sinto (a intolerância religiosa) no meu cotidiano” - Foto: Eberly Laurindo especial para o DRO deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), promoveu na noite de ontem (21) encontro entre seis líderes de diferentes religiões para debater a intolerância religiosa. Intitulado “Superando a Intolerância” o debate lotou o auditório do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo. Participaram da mesa de debates o teólogo Frei Beto, Pai Ronaldo Linares (presidente da Federação de Umbanda do ABC), Mãe Mametu Kayandewa (representante do candomblé), o Sheikh Juma Momade Anli, Cláudio Lopes (representando o espiritismo) e a reverenda metodista Margarida Ribeiro.

“Tive essa iniciativa em função de algumas posturas fundamentalistas. Vivemos muito isso”, explicou Vicentinho. O deputado lem­brou que alguns fatos ocorridos na Câmara nos últimos tempos o motivaram a organizar o debate, como a atuação do deputado federal Marco Feliciano (PSC) à frente da Comissão de Direitos Humanos da Casa. “Eu sinto também (a intolerância) no cotidiano. Há pessoas que acham que, por serem de uma determinada religião, as outras não prestam”, comentou.

O evento faz parte de uma série de debates promovido pelo deputado a cada dois anos de mandato. O último teve como tema a relação dos trabalhadores com o meio ambiente. “É uma contribuição que posso dar para ajudar as pessoas a refletir, repensar a vida. Fazer com que, em um mesmo lugar, estejam padres, espíritas, umbandistas e vários outros segmentos já é um feito maravilhoso”, comentou Vicentinho.

Frei Beto, que já atuou como assessor especial de Luiz Inácio Lula da Silva quando o petista era presidente da República, declarou não achar correto o posicionamento de algumas bancadas religiosas e disse temer que os grupos formados por esses políticos se tornem fundamentalistas. “Deveriam representar o povo e não só um segmento religioso. Não gostaria de ver um católico fazendo isso”, disse, em referência à postura de Feliciano.

Um dos depoimentos mais emocionantes foi o de Ronaldo Linares, que lembrou o forte preconceito que ainda existe com as religiões de origem africana. “Queremos o direito de ser respeitados pelo que somos. Antigamente éramos colocados à margem da sociedade, tratados como marginais. Ainda há quem olhe para nós como se tivéssemos chifres e rabos”, ressaltou. O umbandista acredita que a intolerância nasce da falta de humildade em reconhecer e aceitar o direito alheio.

O líder espírita Cláudio Lopes lembrou ainda uma frase de Dalai Lama, com a qual todos os representantes concordaram como um bom resumo para refletir so­bre a tolerância a outras religiões: “A melhor religião é aquela que te ajuda a ser um homem melhor”.

Marco civil

Vicentinho aproveitou para comentar sobre o Marco Civil da Internet, que será votado na Câmara na próxima terça-feira (25), e informou que, ao contrário do que foi divulgado, o governo não vai retirar do projeto a questão dos data centers (o texto prevê a obrigação de que empresas provedoras de conexão e aplicações de internet mantenham em território nacional estrutura de armazenamento de dados). “É uma questão divergente. No lugar de forçar a barra, o governo deixou por conta dos deputados decidirem, mas só vamos saber na terça, ainda não está claro”, explicou. O deputado acredita que o projeto tenha votos favoráveis inclusive da oposição.



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