Executivo que fez parecer sobre refinaria é afastado | Diário Regional

Executivo que fez parecer sobre refinaria é afastado

22/03/2014 13:20
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Responsável pelo documento que embasou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, considerado “falho” pe­la presidente Dilma Rousseff, o engenheiro químico Nestor Cerveró foi afastado ontem (21) do cargo que ocupava no grupo Petrobras. Cerveró era diretor internacional da estatal à época do negócio, hoje investigado por três instâncias. Desde 2008 ocupava cargo de diretor financeiro da subsidiária BR Distribuidora.

A decisão de afastá-lo da BR foi tomada pelo conselho da subsidiária, que se reuniu em São Paulo. Assim como na Petrobras, Dilma também preside o conselho da distribuidora.

O afastamento foi visto entre aliados do governo como uma tentativa do Planalto de circunscrever ao ex-diretor as falhas no processo de compra da refinaria, que teve aval da presidente, conforme revelou o “Estado de S.Paulo” esta semana.

Na função que ocupava anteriormente, diretor da área internacional da Petrobras, Cerveró foi o executivo que apresentou ao conselho de administração a proposta para compra dos 50% iniciais na refinaria Pasadena, no Texas, da Astra Oil, em fevereiro de 2006. Pela participação, a estatal pagou US$ 360 milhões. Um ano antes, a Astra Oil havia comprado 100% da empresa por US$ 42,5 milhões.

Relatório

Questionada sobre o aval à compra, Dilma disse que se baseou em um relatório falho, que omitia condições importantes do contrato. Uma delas era a obrigatoriedade de a Petrobras comprar os 50% restantes em caso de divergência com a Astra – o que aconteceu poucos meses depois de fechado o negócio. Outra era a que forçava a Petrobras a garantir rentabilidade mínima ao sócio mesmo quando as condições de mercado piorassem.

O tom da resposta de Dilma gerou mal-estar na Petrobras, tensão no Executivo e corrida no Congresso para a aprovação de uma CPI em pleno ano eleitoral para investigar o caso. Cerveró foi afastado do cargo de diretor da área internacional da Petrobras em março de 2008, quando ficou claro para o conselho da estatal, ainda com Dilma à frente, que a compra da refinaria tinha sido um mau negócio.

Apesar do erro, Cerveró foi abrigado na diretoria financeira da BR. A Petrobras, em seguida, entrou em disputas arbitral e judicial com a Astra. Em 2012, foi obrigada a desembolsar US$ 820 milhões pela segunda metade da empresa e encerrar a disputa.

A indicação de Cerveró para a diretoria internacional da Petrobras, logo que Lula chegou à presidência, em 2003, foi feita em conjunto pelo PT e o PMDB.

Nos três anos anteriores, havia trabalhado como gerente na Diretoria de Gás e Energia da Petrobras, setor da empresa comandado até 2002 pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) – que deixou o cargo após ser eleito para o Senado. Amaral admite ter dado aval ao nome de Cerveró para a diretoria internacional, mas alega que era “apadrinhado” do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).



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