Mais de 300 famílias aguardam decisão sobre ocupação em S.Bernardo | Diário Regional

Mais de 300 famílias aguardam decisão sobre ocupação em S.Bernardo

20/03/2014 12:23
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Com fossas no limite, esgoto corre a céu aberto entre as casas - Foto: Eberly Laurindo especial para o DRAs quase 400 famílias que ocupam, há mais de dez anos, uma antiga fábrica no bairro Cooperativa, em São Bernardo, vivem a expectativa de uma reintegração de posse. O local é propriedade do governo do Estado e a ordem de reintegração, programada inicialmente para o fim do ano passado, foi prorrogada por mais 120 dias e pode expirar até o fim deste mês. “Sabemos que este local não é seguro, pelas ligações irregulares de água, de luz. O que a gente quer é ser atendido neste mesmo local, mas não temos conseguido estabelecer um diálogo com as autoridades”, relatou o presidente da Associação dos Moradores do Galpão, Benedito Rezende Costa.

No local, é grande o número de crianças e as famílias ocupam casas de aproximadamente 32 metros quadrados. As fossas que recebem o esgoto estão próximas do limite e todas as ligações, tanto de água quanto de luz, são irregulares. “Desde que assumimos a Associação, há quatro anos, temos tentado conter a população aqui dentro”, destacou a porta-voz da associação, Maria de Fátima da Silveira Rezende. Além da solução por parte do governo do Estado, as famílias também reclamam que a presença da prefeitura é tímida.

Segundo os moradores, apenas a coleta regular de lixo é realizada, mas a ocupação não recebe a visita de agentes de saúde e também não consegue atendimento na Unidade Básica de Saúde de referência do bairro, a UBS Alves Dias. “A gente chega lá e diz que é do galpão, nunca consegue vaga”, reclamou a dona de casa Silvana Gonçalves. “Entendemos que a prefeitura não pode resolver tudo. Porém, queremos presença mais constante da administração, não apenas em época de eleição. Independente de estarmos em uma ocupação irregular, somos munícipes e eleitores da cidade”, afirmou o vice-presidente da Associação, Silvio Dias do Nascimento.

Acompanhamento

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que a ocupação é “acompanhada pela Secretaria de Saúde desde 2011.” Neste período, “a pasta já promoveu a desratização do local e a esterilização de dezenas de cães que perambulavam pelo galpão. Também foram oferecidos serviços vinculados à saúde mental, especialmente na área de dependência de álcool e outras drogas, atendimento odontológico e cadastramento das famílias na rede de Atenção Básica. Outros setores da administração também já promoveram intervenções no local, como a remoção de grande quantidade de entulho, instalação de containers de coleta de lixo e encaminhamentos para a área social. As UBSs Alves Dias e Nazareth atendem regularmente as famílias residentes no galpão, sem qualquer restrição.”

A afirmação da prefeitura foi rebatida pelos moradores. “Há mais de um ano não aparece um agente de saúde, a não ser para colar algum cartaz pelo galpão”, afirmou Maria de Fátima. A reportagem aguarda desde o dia 27 de fevereiro por posicionamento da Secretária de Estado de Planejamento sobre o destino das famílias e quais soluções estão sendo planejadas, mas até o fechamento da edição, não obteve retorno.



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