Emprego industrial cai pelo 8º mês seguido e fecha 1.300 vagas no ABC | Diário Regional

Emprego industrial cai pelo 8º mês seguido e fecha 1.300 vagas no ABC

19/03/2014 11:00
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O emprego industrial começou 2014 como terminou o ano passado: em queda livre. As fábricas do ABC fecharam 1,3 mil vagas em fevereiro, com recuo de 0,58% no nível de ocupação na comparação com o mês anterior, segundo pesquisa divulgada ontem (18) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).

Trata-se da oitava queda mensal consecutiva no emprego fabril do ABC. No acumulado do primeiro bimestre, o saldo entre contratações e demissões é negativo em 1.850 postos de trabalho (queda de 0,86%) e, nos últimos 12 meses, em 10.750 (recuo de 4,08%).

O setor vem sofrendo, desde 2011, com o cenário internacional adverso – agravado este ano pela crise na Argentina, principal parceiro regional do Brasil –, com a queda na demanda interna e com a perda de competitividade, que o dólar na casa de R$ 2,35 conseguiu apenas minimizar.

Ainda segundo o levantamento, dos 21 subsetores industriais pesquisados, em 11 houve fechamento de vagas na região. As principais contribuições negativas vieram dos segmentos de produtos têxteis (queda de 0,77%), alimentícios (-0,66%) e de madeira (-5,10%), metalurgia (-3,13%), máquinas e equipamentos (-0,86%) e eletrônicos (-1,08%).

Entre as quatro regionais do Ciesp no ABC, o pior resultado ocorreu em São Bernardo: fechamento de 650 vagas em fevereiro, com queda de 0,77% no estoque de vagas, pior resultado em dois anos. Derrubaram a ocupação setores como metalurgia (-8,07%) e móveis (-2,01%).

“Infelizmente, o cenário que colocávamos no início do ano como de cautela começa a ganhar status de preocupação, devido à Copa do Mundo e às eleições, somadas aos problemas na política externa, em especial a falta de avanços na crise com a Argentina, grande importador de veículos do Brasil”, afirmou o diretor-titular do Ciesp de São Bernardo, Hitoshi Hyodo. “Vemos com muita preocupação os dados de emprego e atividade econômica neste ano. Se nada for feito teremos dificuldades ainda maiores em 2015”, completou.

As demais regionais também tiveram queda na ocupação em fevereiro. A de Santo André – que inclui as indústrias do município e mais Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – fechou 350 vagas (redução de 0,57% na ocupação), enquanto as de Diadema e São Caetano eliminaram 250 (-0,46%) e 50 postos (-0,25%), respectivamente.

No Estado

No Estado de São Paulo, a indústria criou 7,5 mil postos de trabalho em fevereiro, boa parte no segmento sucroalcooleiro. Considerando os efeitos sazonais, a variação é negativa em 0,17%. Para as entidades, o resultado é “fraco e sugere a mesma dinâmica verificada no ano passado”, quando o nível de ocupação fabril caiu 1,4%.

“A criação de postos do setor deve fechar o ano perto do zero, uma vez que a indústria já fez seu ajuste de quadro de funcionários para demanda que, há certo tempo, não está aquecida”, disse o gerente de Economia das entidades, Guilherme Moreira. “Esperamos que, neste ano, devido à conjuntura atual e à expectativa de PIB (Produto Interno Bruto) sem crescimento expressivo, a projeção de emprego zero seja confirmada”, completou.



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