Vereadores se irritam com depoentes na CPI da Craisa | Diário Regional

Vereadores se irritam com depoentes na CPI da Craisa

15/03/2014 4:35
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Montorinho: “mostrou total desconhecimento”. Foto: ArquivoOs empresários Jeferson Barbosa Borges e Rita de Cássia Vieira Borges prestaram depoimentos, de forma separada, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André (Craisa), durante a manhã de ontem (14). O encontro foi agendado inicialmente para 28 de fevereiro e postergado mais duas vezes por conta do Carnaval.

Ao ser questionado sobre o contrato selado com a prefeitura em 2012 para organização da Festa Junina, Festival de Inverno de Paranapiacaba e Festival de Cultura Industrial, Borges, que também é administrador da empresa, não soube dar detalhes, como por exemplo, empresas subcontratadas e barracas alugadas para venda de alimentos. O empresário alegou que o advogado Alexandre Hideyo Tursi Matsutacke foi o responsável pelo certame, já que também atua como representante legal da firma. As respostas, no entanto, não convenceram os parlamentares. “O proprietário da Logos mostrou total desconhecimento de sua empresa e em relação ao contrato firmado com a Craisa”, avaliou, posteriormente, o presidente da comissão, José Montoro Filho, o Montorinho (PT).

Funções
Classificada atualmente como especializada em organização de feiras, congressos, exposições e montagem de estruturas metálicas, outras funções também já foram incluídas – mas já retiradas – no escopo da Logos do Brasil, como confecção de peças de vestuário. Relator da Comissão, Ailton Lima (SDD) questionou o empresário sobre os diferentes ramos de atuação que constam no escopo da empresa criada em 1992. “Temos vários ramos de segmento justamente para poder atender às necessidades comerciais”, destacou o depoente, ao afirmar que isso pode facilitar a participação de sua empresa em licitações públicas.

“Acredito ter em torno de 10% das ações”, disse Rita de Cássia, assim como o marido. O documento da Junta Comercial apresenta que Rita tem 90% das cotas da empresa e Borges 10%. À reportagem, os dois inverteram a situação e alegaram que Borges é sócio majoritário, mas não sabiam avaliar quanto.
Os vereadores se sentiram desconfortáveis com o tom usado pela empresária em diversas ocasiões. “Não sei se é simpatia ou deboche”, alfinetou o relator, antes de alegar que a empresa é “largada”, pois os sócios não conhecem detalhes de contratos e de documentação.

Outro alvo de suspeita é o fato de o contrato entre o poder público municipal e a empresa ter sido firmado apenas um dia antes da Festa Junina, o que impossibilitaria, em tempo hábil, a contratação de artistas.
Para a homologação de certames licitatórios, os vencedores devem apresentar uma série de documentos que provem a idoneidade. No caso da Logos do Brasil, apenas a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas foi enviada à prefeitura, faltando as certidões civil, criminal e da Fazenda Pública. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), inclusive, votou pela irregularidade do pregão realizado em 2012.

Mais oitivas
A comissão espera dois ex-superintendentes da autarquia para a próxima sexta-feira (21), Laerte Aparecido Satolo e Reinaldo Abud. Ambos gerenciaram a Craisa durante a gestão de Aidan Ravin (PSB, 2009-2012). É provável que o advogado Matsu­tacke, que acompanhou os depoimentos do casal de empresários na Câmara, seja convocado pelos parlamentares também.

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