Aliados convocam ministros para constranger Planalto | Diário Regional

Aliados convocam ministros para constranger Planalto

13/03/2014 9:27
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Câmara aprovou  comissão para tratar de supostas irregularidades na Petrobras - Foto: Agência BrasilNo dia em que sofreu sua segunda derrota consecutiva imposta por sua base aliada, com convocações e convites para dez ministros se explicarem no Congresso, o Palácio do Planalto intensificou a promessa de nomear ministros e liberar verbas para tentar conter a rebelião. Em menos de 48 horas, a Câmara dos Deputados contrariou o governo ao aprovar a criação de uma comissão para tratar de supostas irregularidades na Petrobras, e, ontem, conseguiu atingir a equipe ministerial da presidente Dilma Rousseff.

De uma só tacada e de forma possivelmente inédita – a Câmara não soube precisar esse dado ontem -, 10 dos 39 ministros foram convidados ou convocados por comissões da Casa, em reuniões marcadas por bate-boca entre o PT e os aliados rebelados.

Mais uma vez, a derrota ao governo foi capitaneada pelo líder da bancada do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), porta-voz das insatisfações. Um dos ministros de Dilma, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), foi convocado em três votações distintas. Os ministros serão instados a falar sobre ações de suas pastas e serão alvos da oposição, que insistirá em assuntos incômodos ao Planalto, como os apagões no setor elétrico e denúncias.

“Há um ambiente contaminado, a base não está acertada e a oposição está se valendo disso”, lamentou o deputado José Guimarães (PT-CE) durante sessão da Comissão de Fiscalização e Controle. Além de Carvalho, esta comissão aprovou ainda a convocação de outros quatro ministros: Manoel Dias (Trabalho), Jorge Hage (Controladoria-Geral) e Aguinaldo Ribeiro (Cidades). Foi aprovado ainda convite para depoimento da presidente da Petrobras, Graça Foster, e do ministro Arthur Chioro (Saúde). “É tanto ministro que a gente devia é convocar logo a presidente Dilma”, ironizou o oposicionista Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Revolta na base

A revolta na base de Dilma engrossou na véspera do Carnaval após o PMDB, maior partido da aliança dilmista, ter liderado a criação de um “blocão” de nove partidos para atuação conjunta, oito deles governistas.

Diante da escalada da crise, o governo, que até então vinha resistindo às pressões, recuou e reforçou a promessa de contemplar os aliados com mais cargos federais, incluindo ministérios, além de vitaminar as verbas liberadas para as obras patrocinadas pelos congressistas.

A orientação foi de os ministérios providenciarem todos os empenhos dos recursos previstos no Orçamento deste ano, promessa já feita, mas não cumprida.

A presidente também indicou que anunciará novos ministros até hoje. Entre eles, o indicado do PP, Gilberto Occhi (vice-presidente da Caixa), para o Ministério das Cidades. Deve ser anunciado também um nome do Pros para Integração Nacional e a efetivação de Mauro Borges no Ministério do Desenvolvimento. Será definida ainda a situação do PTB, que pode ganhar uma estatal.

No caso do PMDB, um assessor presidencial disse que a negociação “será um trabalho mais lento”. Neri Geller, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, está cotado para substituir o atual ministro, Antonio Andrade (PMDB-MG).

Seria uma forma de fazer um aceno na direção dos peemedebistas da Câmara, que indicaram o secretário na cota dos deputados do PMDB.

O ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) coordena as articulações para tentar esvaziar o “blocão”. Dos nove partidos iniciais, o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab abandonou os rebelados logo no início e, após conversas com Mercadante e a promessa de terem suas demandas atendidas, PP, Pros e PDT também voltaram atrás.

Ontem, o PR foi procurado pelo ministro do partido, César Borges (Transportes), e avaliava deixar a rebelião. O vaivém dos partidos ficou claro na Comissão de Fiscalização, onde Cunha travou um embate com o líder da bancada do PP, o “ex-rebelado” Eduardo da Fonte (PE). Ambos insinuaram suspeitas de corrupção contra ministros do partido do outro.



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