Uso do 'volume morto' pode acabar com o Cantareira | Diário Regional

Uso do ‘volume morto’ pode acabar com o Cantareira

12/03/2014 9:41
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Ontem, o volume útil do Cantareira chegou a 15,8% de sua capacidade - Foto: AEO uso do “volume morto” do sistema Cantareira pode causar um colapso no sistema de abastecimento de água da Grande São Paulo e nos rios do Interior do Estado e colocar em risco a economia do país. A afirmação é do Consórcio PCJ, associação que reúne prefeituras, indústrias e entidades de 43 cidades da região de Campinas, Piracicaba e Jundiaí.

O “volume morto” é a água que está abaixo dos sistemas de captação dos reservatórios do Cantareira. Esse volume nunca foi retirado e serve como uma reserva, mas recentemente a Sabesp foi autorizada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) a utilizá-lo.

A empresa já está fazendo obras que permitam a retirada desse volume, de cerca de 400 milhões de litros de água. Ontem (11), o volume útil do Cantareira – sem o “volume morto”- chegou a 15,8% de sua capacidade, o menor patamar desde que foi criado, em 1974.

Para José Cezar Saad, coordenador de projetos do consórcio, não é recomendável usar a reserva. “O ideal seria adotar o racionamento, sem dúvida. O governo do Estado conta com essa carta na manga (o volume morto), mas não deveria ser utilizada”, disse Saad. “A finalidade do volume morto é exatamente não ser utilizado.”

Saad afirma que, se o volume de chuvas e o consumo de água atuais do Cantareira se mantiverem, o volume útil do sistema se esgotará no fim de maio. Em junho, será necessário utilizar a reserva. “É um risco muito grande a utilização do volume morto. Dependendo da quantidade de chuva e do volume utilizado, o Cantareira pode nunca mais se recuperar como um todo.”

Racionamento

Para Antonio Carlos Zuffo, diretor do departamento hídrico da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o racionamento hoje pode evitar uma “catástrofe” no período de seca, entre abril e setembro. Zuffo afirmou que a falta de água pode colocar em risco a economia do país. “A macrometrópole paulista representa 80% do PIB do Estado e 25% do PIB do país”, disse o especialista. “Não estamos gerenciando recursos hídricos, estamos gerenciando uma crise de abastecimento.”

Para Francisco Lahóz, secretário-executivo do Consórcio PCJ, “não se pensou na morte do sistema Cantareira”. “A economia do Brasil está ameaçada. A insistência em garantir a vazão plena para a Capital pode levar ao colapso da Grande São Paulo, Campinas e adjacências.”

Na segunda, o Consórcio PCJ divulgou uma nota em que critica a ação da Sabesp e dos órgãos reguladores. “A carta é para que São Paulo passe a restringir radicalmente a sua retirada (de água), que seja com racionamento. É preferível racionar agora e manter uma reserva estratégica para a estiagem. Não podemos colocar as duas regiões com o maior PIB do país (São Paulo e Campinas) em um risco de calamidade.”

Outro lado

Procurada, a Sabesp informou que segue as determinações da ANA, que é federal, e do DAEE, estadual, e que investe “de forma contínua e planejada em ações de fornecimento de água”. A empresa cita a construção de um novo sistema produtor de água (São Lourenço) e diz que “está tomando todas as providências para manter a normalidade do abastecimento dos 20 milhões de habitantes na Grande São Paulo”. A previsão é que o novo sistema fique pronto em 2018.

Em nota, o DAEE afirmou que trabalha para zelar pelo interesse de todas as partes envolvidas. A ANA não quis se pronunciar.



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