Temendo vaia, Fifa corta discursos da abertura | Diário Regional

Temendo vaia, Fifa corta discursos da abertura

12/03/2014 9:08
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Blatter e Dilma, durante cerimônia de abertura da Copa das Confederações, em 2013 - Foto: ArquivoA Fifa decidiu cortar da cerimônia de abertura da Copa do Mundo os discursos do seu mandatário, Joseph Blat­ter, e da presidente Dilma Rousseff por temer que os dois voltem a ser alvo de vaias, como na Copa das Confederações. A revelação foi feita pelo próprio Blatter, em entrevista à agência alemã DPA, ao comentar a possibilidade de os apupos ouvidos no evento de 2013 se repetirem.

“Não dá para saber o que vai acontecer, não sou nenhum profeta. Estou convencido de que a situação (manifestações e protestos da população) se tranquilizou. Vamos fazer o evento de abertura de maneira em que não aconteçam discursos”, afirmou o presidente. A decisão foi tomada de forma unilateral pela Fifa e, de acordo com a assessoria da entidade, não é definitiva. A Presidência da República afirmou não ter sido avisada sobre a decisão.

Na abertura da Copa das Confederações, em junho, Dilma foi vaiada três vezes e decidiu abreviar seu discurso. Blatter, também alvo de apupos, chegou a questionar os torcedores presentes no Mané Garrincha, em Brasília. “Onde está o respeito, onde está o fair play?”, disse. A competição aconteceu no auge das manifestações que tomaram conta das principais cidades do Brasil, no ano passado.

Os gastos públicos para receber a Copa do Mundo e a Copa das Confederações estavam entre as principais críticas do público que protestava nesse período.

Decisão técnica

Após a publicação da entrevista de Blatter, ontem, a assessoria da entidade amenizou o teor das declarações. Segundo o departamento de comunicação da Fifa, o corte dos discursos não está ligado ao risco de vaias às autoridades e foi somente uma “decisão técnica”, uma vez que “nem toda cerimônia precisa contar com discursos”.

As Copas do Mundo da gestão de Joseph Blatter – as últimas três – contaram com discursos dos presidentes dos países-sedes dos torneios. Blatter só deixou de discursar em uma das três cerimônias de abertura desde que assumiu a presidência da Fifa. Nessa ocasião, em 2006, só o então presidente alemão, Horst Köhler, falou.

Os discursos de autoridades em Mundiais costumam ser prato cheio para as vaias. Em 1994, atingiram o então presidente dos EUA, Bill Clinton. Em 1998, o alvo foi o mandatário da Fifa na época, João Havelange. Quatro anos mais tarde, foi a vez de Blatter. No último Mundial, em 2010, o mandatário e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, ouviram as críticas, mas apenas na final.

Antecessor de Dilma na presidência, Luiz Inácio Lula da Silva também foi alvo de vaias na abertura de evento esportivo. Lula desistiu de declarar o início do Pan-Americano do Rio, em 2007, após apupos no Maracanã e foi substituído pelo presidente do COB, Carlos Nuzman.

Não houve combinação entre Dilma e Blatter

Interlocutores da presidente Dilma Rousseff afirmaram, em caráter reservado, que a presidente jamais combinou com os representantes da Fifa de não discursar na abertura da Copa para evitar vaias. Segundo auxiliares presidenciais, ainda não há decisão tomada sobre o assunto, embora assessores afirmem que Dilma avalie que estádio não é local apropriado para pronunciamentos.

Na avaliação de integrantes do governo, as chances de uma autoridade não ser hostilizada em um evento como esse, sobretudo após as manifestações de junho do ano passado, são mínimas. Tanto o presidente da Fifa, Joseph Blatter, quanto Dilma foram vaiados na Copa das Confederações.

No governo, a preocupação com repercussões negativas durante a realização da Copa ganhou peso adicional em razão do calendário eleitoral.



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