Uso de transporte individual subiu 21% em cinco anos, revela pesquisa | Diário Regional

Uso de transporte individual subiu 21% em cinco anos, revela pesquisa

11/03/2014 9:03
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Transporte individual somou 45,7% das viagens realizadas em 2012 - Foto: ArquivoOs deslocamentos por transporte individual na região metropolitana de São Paulo cresceram mais do que os por transporte coletivo. Entre 2007 e 2012, as viagens feitas com carros, motos e táxis aumentaram 21% – enquanto as por ônibus, trens e metrô subiram 16%. O resultado integra pesquisa divulgada ontem (10) pela Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo. Em outras palavras, a metrópole segue na contramão do que seria desejável do ponto de vista urbanístico.

O levantamento mostra que a população continua com dependência excessiva de ônibus e automóveis para se locomover. Juntas, as duas modalidades representavam 57,4% de todas as viagens. Simbolicamente, os deslocamentos com carros (12,6 milhões) chegaram até a ultrapassar os realizados de ônibus (12,5 milhões) –e mbora dentro da margem de erro, de dois pontos porcentuais.

“É fruto das políticas públicas que foram implementadas sempre a favor do carro. Tanto no caso da redução de impostos quanto na construção de obras viárias”, destacou Ailton Brasiliense, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos.

O estudo apresentando ontem é uma amostragem intermediária entre duas pesquisas “Origem e Destino” (OD), a mais abrangente do setor, realizada de dez em dez anos. O trabalho se baseia em 8.115 entrevistas domiciliares, contra as 30 mil da OD 2007.

Em 2012, as viagens do transporte coletivo somavam 54,3%, contra 45,7% das por transporte individual. Em 2007, as cifras eram 55,3% e 44,7%, respectivamente. As viagens de ônibus tiveram aumento menor (13%) que as de automóvel (19%) e abaixo da média geral de 15%. Houve também um acréscimo acentuado do uso de motocicletas (44%).

De um lado, ganha peso a opção individual – que reflete, ao menos em parte, a política de incentivos fiscais para a compra de automóveis e motos mantida pelo governo federal nos últimos anos. O aumento é puxado pelas classes mais baixas e incentivado pela questionável qualidade de ônibus ou trens.

De outro lado, os crescentes congestionamentos empurram uma parte da classe média para as modalidades do transporte coletivo. O problema é que permanece a predominância de veículos de capacidade mais limitada e mais poluentes que os deslocamentos sobre trilhos, movidos a eletricidade, mas cuja rede segue pequena.

Utilização de moto aumenta 44% entre 2007 e 2012

Basta circular cinco minutos por qualquer esquina movimentada da região central de São Paulo para ter certeza de que o aumento de 44% em cincos anos no uso da moto detectado pela pesquisa do governo é um fato real. O registro de 32.873 motos emplacadas apenas na Capital em 2013 também indica um aumento vertiginoso dessa frota.

Esse fato tem trazido muitos riscos principalmente para os usuários desse meio de transporte, que buscam, quase sempre, mais rapidez e economia quando compram um veículo sobre duas rodas. Estudos mostram que o risco de morrer em uma moto, dentro da cidade, é 30 vezes maior do quem circula apenas de carro.

O atendente Sandro Souza de Oliveira, 22, é um dos milhares de paulistanos de baixa renda que trocaram o transporte público pelo conforto do carro ou da moto nos últimos anos.

Para fugir do desconforto do ônibus lotado, o morador do bairro do Imirim, periferia da zona norte, passou a ir trabalhar de moto há dois anos. A troca também o fez economizar tempo e dinheiro.

Antes, demorava 1h30 de casa até a loja de motos onde trabalha em Santa Cecília, no centro da cidade. “Hoje gasto só 15 minutos. E sem aperto”, afirma.

Vou de táxi

Outro dado revelado pela pesquisa de mobilidade é a quantidade de pessoas que estão usando o táxi como forma de circular pela Grande São Paulo. O incremento entre 2007 e 2012 é de 55%. Apesar de o táxi ser um meio de transporte ainda pouco representativo no conjunto geral dos meios de deslocamento por São Paulo.

Segundo os dados de 2012, 200 mil viagens diárias são feitas de táxi. Entre os principais modos de transporte utilizados pelo paulistano, o uso de ônibus fretado foi o único que caiu. Entre 2007 e 2012, diminuíram 22%.



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