Teixeira: 'população cansou dos enganadores' | Diário Regional

Teixeira: ‘população cansou dos enganadores’

09/03/2014 10:31
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Teixeira: “Não estou entrando na política para ser o prefeito de São Bernardo. É um boato sem fundamento”. Foto: DivulgaçãoO pré-candidato do PT a deputado estadual e presidente do São Bernardo Futebol Clube, Luiz Fernando Teixeira, aposta na boa imagem construída como empresário e dirigente esportivo para seduzir o eleitorado da classe média de São Bernardo, tradicionalmente refratária ao PT e que elegeu para a Assembleia Legislativa, em 2010, os oposicionistas Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS). Natural de Águas da Prata, o empresário foi vereador em Casa Branca de 1989 a 1992 e, residindo no ABC há duas décadas, prepara-se aos 51 anos para seu projeto político mais ambicioso: eleger-se deputado estadual. Teixeira garante, no entanto, que a eleição não é trampolim para vôos mais altos e que a sucessão do prefeito Luiz Marinho (PT) em 2016 não está nos planos no momento. “Se me eleger deputado em outubro, terei de provar que sou tão sério quanto digo que sou”, afirmou o petista, para quem o Brasil que emergiu das manifestações que tomaram as ruas no ano passado está cansado de políticos enganadores. “A população quer sangue novo”, afirmou.

Como têm sido os contatos com a militância petista nesta fase de pré-campanha eleitoral?
Altamente positivos. Como levo a desvantagem de não ter disputado eleições na cidade, tenho conversado com a base e, felizmente, colhido bons resultados – primeiro, por ser o candidato do prefeito Luiz Marinho (PT) e, segundo, por representar o novo. Tenho ouvido muito das pessoas que os dois representantes da oposição na Assembleia Legislativa (Alex Manente, PPS, e Orlando Morando, PSDB) estiveram deputados estaduais, mas não foram deputados estaduais. Essas mesmas pessoas querem alguém que possa, de fato, fazer a diferença.

O senhor terá a missão de atrair o eleitorado da classe média, que é avessa ao PT e, tradicionalmente, vota nos candidatos da oposição. Que discurso o senhor vai usar para conquistá-lo?
É real o cenário de que, em outubro, serei importante opção para as classes A e B da cidade – que, no passado, votaram no Alex e no Morando – porque sou empresário bem-sucedido, tenho posições ponderadas, experiência de gestão e tenho sido importante auxiliar não-remunerado do prefeito no sentido de aconselhá-lo (minutos depois, Marinho chegou ao escritório para visitá-lo). Acredito que as demandas da classe média são parecidas com as das classes D/E: uma sociedade mais justa e de mais oportunidades. Também precisamos cuidar melhor da segurança, que está intimamente ligada à questão social. Se você não dá boa educação às crianças, é muito grande a possibilidade de que se tornem delinquentes no futuro.

No que o senhor entende que os mandatos de Manente e Morando supostamente falharam e que abre espaço para sua candidatura na classe média?
O “fazer”. O que esses dois mandatos trouxeram para São Bernardo, cidade que os projetou política e profissionalmente? Apenas fazer oposição ao prefeito é pouco. O que trouxeram para a região? Recentemente, li que o Morando explicou (em uma palestra) o que será a Linha 18-Bronze do metrô (que ligará a Capital a São Bernardo). Porém, em 2008, Marinho prometeu trazer o metrô para a cidade durante a campanha e o Morando disse: “É impossível”. Agora, ele e o Manente querem assumir a paternidade dessa conquista. Percebe a incoerência? Ser político é muito sério. A omissão de um político pode matar uma criança no pronto-socorro, levar uma jovem à prostituição. Quem passa pela política e nada faz é irresponsável. Hoje, sem ser político, estou à frente, talvez, do maior projeto socioesportivo do mundo, o Tigrinho, que tira 6,5 mil jovens das ruas.

O Projeto Tigrinho será sua principal bandeira de campanha?
Esse projeto faço para Deus. Porém, acredito que o morador de São Bernardo conhece o Tigrinho, porque é praticamente impossível circular pela cidade sem encontrar um garoto com o uniforme amarelo, preto e branco do Projeto Tigrinho. Você não vai vê-lo roubando, nem pedindo esmola no sinal. Não tenho a menor dúvida de que é conhecido. “Agora, você vai explorar isso eleitoralmente?” Não, mas vou brigar para que o governo do Estado adote programas como esse. A função do Estado é cuidar das crianças, e não construir presídios. Quem investe em educação e esporte gasta menos em segurança pública. Essa será minha principal bandeira.

O senhor pretende retornar à política em um momento complexo do país, que emergiu diferente das manifestações do ano passado. Nesse sentido, convencer o eleitorado neste ano será mais difícil?
Não para mim, porque sou novo, tenho história de vida de seriedade, hombridade e realizações. Difícil é enganar o povo mais uma vez. A população que foi às ruas no ano passado não bateu em partidos. Havia uma pequena parte de baderneiros, outra parte de gente simples usada pela direita como massa de manobra e uma parcela de brasileiros que emergiram das classes D/E e que querem continuar melhorando. É um contingente que não aceita mais enganadores. Por isso, quem já foi (político) e nada fez precisa temer (a eleição).

O senhor desqualifica os movimentos?
De forma nenhuma. Desqualifico os baderneiros, que agiram livremente porque não houve enfrentamento por parte da Polícia Militar – e quando me refiro à PM, ataco a direção e não o policial que sofre nas ruas. Sob a diretriz do Palácio dos Bandeirantes, a polícia do PSDB se omitiu, olhou o quebra-quebra de longe e só entrou depois para juntar os cacos. Aí foi criticada e, quando agiu, usou força excessiva, errou novamente. De qualquer forma, vejo o movimento com bons olhos, porque a população mostrou que não aceita mais enganação. Acho até que, quando o prefeito Marinho resolveu lançar minha pré-candidatura, foi pensando no movimento, no pedido da população por sangue novo e limpo na política.

Como o PT de São Bernardo chegará à eleição, em outubro? A escolha dos três candidatos a Assembleia Legislativa não foi um processo, digamos, natural. A deputada Ana do Carmo teve de desmentir boatos de que não disputaria a reeleição e o então presidente do diretório, Wanderlei Salatiel, defendia o lançamento de, no máximo, duas candidaturas petistas na cidade.
A unanimidade é burra e não vai existir em momento algum. O PT de São Bernardo está sendo ousado e o mais ousado é o prefeito, porque o partido já teve dois deputados estaduais ao mesmo tempo: Ana do Carmo e Wagner Lino. O PT vem fazendo um governo fantástico, haja vista o fato de que o Marinho foi reeleito no primeiro turno com votação expressiva. Marinho ousou porque lançou três candidatos (Teixeira, Ana do Carmo e o sindicalista Teonílio Monteiro da Costa, o Barba) e, pela primeira vez, vai eleger três deputados.

A repercussão da investigação, pelo Ministério Público, da compra de material escolar pela prefeitura pode prejudicar sua candidatura?
Não, porque são denúncias infundadas. É só observar as rugas de preocupação no rosto do prefeito. Vi a imprensa denunciar um milhão de coisas que não levaram a nada. Quanto à honestidade do prefeito, ponho minhas mãos no fogo por ele. São factóides e mais factóides, mas nada foi provado.

O PT diz que o Estado de São Paulo enjoou do PSDB, mas as pesquisas de intenção de voto indicam que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) venceria no primeiro turno.
É o momento mais importante para o PT nesses 20 anos de administração do PSDB no Estado de São Paulo. O partido está maduro. A gestão do governador Geraldo Alckmin é suportada por deputados que estão, mas não são, que investe em presídios e não em escolas, que só trouxe o metrô para o ABC porque a presidente Dilma Rousseff (PT) está investindo desde o pré-projeto até a obra. Tenho andado muito pelo Interior do Estado e percebo grande insatisfação, porque o governador sucateou a polícia, o ensino. Em 2008, quando começou a campanha, o prefeito Luiz Marinho tinha 3% das intenções de voto, mas ganhou a eleição. O Carlos Grana (PT, prefeito de Santo André) estava muito atrás do Aidan Ravin (PTB) em 2012, mas também se elegeu.

É curioso o senhor ter citado o prefeito Carlos Grana. Ele é uma referência de trajetória política, já que em sua primeira disputa elegeu-se deputado estadual e, dois anos depois, conquistou a prefeitura?
O Grana é um grande amigo. Sou candidato a deputado estadual. Ponto final (irritado). Ainda não disputei a eleição e, se me eleger deputado em outubro, terei de provar que sou tão sério quanto digo que sou. Você quer perguntar se sou candidato a prefeito em 2016 e respondo: “não”.  Não estou entrando na política para ser o prefeito de São Bernardo. Isso é um boato sem fundamento.

Porém, comenta-se que já existiria divisão no PT de São Bernardo entre os defensores de seu nome e os do secretário de Serviços Urbanos, Tarcísio Secoli, para 2016.
Isso não é verdade. Dizem que o Tarcísio é candidato, que sou candidato, que o ministro (da Saúde) Arthur Chioro é candidato, mas é mentira. O Chioro é candidato a fazer excelente trabalho na Saúde e dar continuidade aos projetos do Alexandre Padilha (pré-candidato petista ao governo do Estado). O Tarcísio tem problemas complexos para resolver na cidade e eu fui convocado a ser candidato a deputado estadual. O escolhido do prefeito será, certamente, aquele que terá mais condições de dar continuidade aos projetos para a cidade.

Quando o senhor acredita que o candidato deve ser escolhido?
Ah, essa pergunta precisa ser feita ao prefeito. Não podemos antecipar a eleição de 2016. São Bernardo tem graves problemas que precisam e estão sendo resolvidos. Está sendo administrado com muita responsabilidade. Por isso, tenho certeza de que o Marinho escolherá o nome certo no momento certo.

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