Federação interdita estádio do Mogi Mirim | Diário Regional

Federação interdita estádio do Mogi Mirim

08/03/2014 11:30
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Jogador Arouca foi alvo de atos racistas por parte de torcedores - Foto: Ricardo Saibun/Santos FCA Federação Paulista de Futebol (FPF) interditou o estádio Romildo Vitor Gomes Ferrari, do Mogi Mirim, depois dos atos racistas contra o volante Arouca, do Santos. De acordo com nota emitida pela FPF na tarde de ontem (7), a decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado de São Paulo.

“A ação se tornou necessária considerando que as ações da torcida do Mogi Mirim maculam de forma indelével a disciplina desportiva e também os princípios básicos de civilidade e humanismo”, diz a nota da federação. “A interdição do estádio será mantida até a decisão final de processo disciplinar instalado para averiguar os fatos ocorridos”, continua.

Presidente e jogador do Mogi Mirim, Rivaldo usou as redes sociais para condenar os insultos sofridos por Arouca. O ex-jogador da Seleção Brasileira, porém, disse que não pode controlar torcedores que ofendem atletas no estádio de seu clube e, por esse motivo, acredita ser injusta qualquer punição ao Mogi.

“Como presidente do Mogi Mirim, eu lamento caso tenha havido algum ato de racismo com o jogador Arouca, do Santos. Sou contra esta atitude de pessoas que não respeitam o próximo. Somos todos iguais. Nós vamos buscar nos monitores do estádio e em filmagens para ver se houve e, caso positivo, punir os culpados”, escreveu Rivaldo em sua conta no Instagram.

“Só não concordo em punição para o clube, não podemos controlar a boca dos torcedores. O clube é responsável caso tenha briga, invasão de campo ou objetos jogados em campo. Ontem, por exemplo, liberamos mais um parte da arquibancada para os torcedores do Santos para evitar qualquer problema. Porém, entrego esta situação nas mãos de Deus”, completou o ex-jogador da Seleção Brasileira. O julgamento do Mogi Mirim – que pode ser multado, perder pontos e mandos de campo – deve acontecer no próximo dia 17.

CBF
Procurada, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não quis se manifestar sobre o assunto. “A CBF vai tomar a mesma atitude que vinha tomando em casos semelhantes: vai encaminhar à Fifa os relatos. Só quem pode punir no Brasil é o STJD”, disse o diretor de comunicação da entidade, Rodrigo Paiva.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), por sua vez, passou toda a responsabilidade do caso Arouca ao TJD-SP. “O STJD só vai interferir se recursos forem interpostos e chegarem até o nosso mérito”, disse à reportagem Paulo Schmitt, procurador-geral do órgão.

“A legislação brasileira para casos como esse existe e é similar à da Fifa. Os tribunais precisam agora ter coragem de punir de acordo com a lei”, acrescentou. Procurado pela reportagem, o presidente da confederação, José Maria Marin, também não se manifestou sobre a questão. Há duas semanas, Marin cobrou sanções da Conmebol ao Real Garcilaso, do Peru, por causa de ofensas de torcedores a Tinga, do Cruzeiro.

Volante lamenta ofensas e pede punição severa aos autores

O volante Arouca, do Santos, lamentou as ofensas racistas que sofreu logo após a vitória sobre o Mogi Mirim, por 5 a 2, na quinta-feira (6), pelo Campeonato Paulista. Em nota publicada por sua assessoria de imprensa ontem, Arouca pediu punição para os autores de ofensas racistas no futebol.

“Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si”, disse o volante.

Enquanto concedia entrevista no campo, depois da vitória do Santos, Arouca foi xingado de macaco por três torcedores, segundo relato dos repórteres de rádio. O jogador ficou desconcertado e não conseguiu concluir a resposta sobre a sua atuação na partida em Mogi Mirim. Foi o autor do quarto gol do seu time.



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