Robert Redford encara sozinho sua finitude no mar | Diário Regional

Robert Redford encara sozinho sua finitude no mar

07/03/2014 8:26
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Brilha o grande ator, sem medo de exibir mãos e rosto enrugados, músculos flácidos - Foto: DivulgaçãoAté o Fim, que estreia hoje (7) nos cinemas brasileiros, pode ser descrito como o filme em que Robert Redford fica o tempo todo sozinho em um barco à deriva e não abre a boca durante uma hora e meia.

Na verdade, existem dois Robert Redford. O primeiro é o galã dos anos 1960 e 1970, que às vezes atuou em produções memoráveis como “Caçada Humana”, “Butch Cassidy”, “Golpe de Mestre” e, principalmente, “Todos os Homens do Presidente”. O Brad Pitt de sua geração.

O segundo é o produtor e diretor que mudou a cara do cinema americano nos anos 1980 e 1990. Criou a escola de cinema Sundance e o festival anual de mesmo nome, reunindo os cineastas independentes e dando oportunidade para inúmeros talentos mostrarem seus filmes.

“Até o Fim” exibe um Redford, aos 77 anos, que é uma mistura desses dois. A produção é independente, o segundo filme dirigido por J.C. Chandor, que foi indicado ao Oscar de melhor roteiro há dois anos por “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, drama esperto sobre a crise financeira de 2008 com Kevin Spacey no elenco.

Redford bancou a nova produção, com apenas um ator e um pequeno veleiro como cenário. Nada mais Sundance. Porém, brilha o grande ator de outrora, uma presença magnética na tela, sem medo de exibir mãos e rosto enrugados, barriga e músculos flácidos, a pele com manchas de senilidade.

Acorda em seu barco, no meio do oceano Índico, depois de um grande estrondo, com muita água a bordo – um contêiner boiando, caído de algum cargueiro, se chocou contra o veleiro e abriu um buraco no casco.

A partir daí, o filme acompanha oito dias angustiantes de luta pela sobrevivência, à espera de um resgate. Enquanto tenta manter o barco flutuando, vai se deparar com todos os problemas que podem ser imaginados nessa situação: rádio e GPS quebrados, tempestades, tubarões e falta de comida e água.

Na primeira cena, o espectador escuta a voz de Redford, em “off”, lendo trecho do que se imagina ser uma carta de despedida para familiares e amigos. No minuto seguinte, a ação volta no tempo ao momento do impacto que danifica o barco. Até o fim da projeção, Redford vai dizer mais duas palavras, em cenas distintas: “God” e “fuck”.

Do personagem não se sabe nome nem profissão, mas Redford passa a certeza de que se trata de um marinheiro experiente. O trunfo do roteiro envolvente é que tudo o que ele faz é crível. Não há soluções heroicas improváveis.
“Até o Fim” é, na essência, um drama sobre o homem diante de sua mortalidade e, também, um filme de ação empolgante, que deixa qualquer um grudado na poltrona.



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