Desemprego entre mulheres é o menor da história no ABC | Diário Regional

Desemprego entre mulheres é o menor da história no ABC

07/03/2014 8:50
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O mercado de trabalho do ABC “andou de lado” no ano passado, mas foi positivo para as mulheres. O desemprego no contingente feminino caiu, em 2013, ao menor patamar da história da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada nos sete municípios desde 1998. A taxa média foi de 11,1%, com redução de 0,8 ponto porcentual em relação à de 2012, que registrou 11,9%. Na mesma comparação, a taxa de desemprego entre os homens aumentou 0,3 ponto porcentual, de 8,9% para 9,2%.

Os dados integram o estudo A inserção feminina no mercado de trabalho do ABC em 2013, elaborado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com o Consórcio Intermunicipal. A divulgação, feita ontem na sede da entidade, precede as comemorações do Dia Internacional da Mulher, amanhã (8).

Segundo a pesquisa, os movimentos de queda da taxa de desemprego feminina e de alta da masculina se devem ao fato de que a geração de vagas em 2013 ocorreu apenas para o público feminino, enquanto entre os homens a criação de postos de trabalho foi nula.

A ocupação feminina cresceu 3,3%, com a criação de 18 mil vagas, suficientes para absorver as 15 mil mulheres que entraram na força de trabalho. Com isso, o contingente de desempregadas caiu para 72 mil. Não por acaso, a participação das mulheres no total de ocupados no ABC subiu de 45,2% para 46%. Na mesma comparação, a masculina recuou de 54,8% para 54%.

Também cresceu, pelo segundo ano consecutivo, a taxa de participação, como é chamada a proporção de mulheres com 10 anos de idade ou mais inseridas no mercado, sejam empregadas ou à procura de ocupação. A taxa, que era de 53,6% em 2012, subiu para 54,1% em 2013, superior à de países como Alemanha (53%), França (51,1%), Espanha (51,6%) e Itália (37,9%).

“O crescimento econômico verificado na última década favoreceu mais as mulheres do que os homens no mercado de trabalho”, afirmou Márcia Guerra, analista da Fundação Seade, durante a apresentação dos dados. O movimento reflete também as transformações nas relações familiares, bem como o aumento da qualificação e escolaridade do público feminino. Não por acaso, em 2003, a diferença entre as taxas de desemprego de homens (24,1%) e mulheres (17,3%) era de 6,8 pontos porcentuais. No ano passado, caiu para 1,9 ponto.

A taxa de ocupação feminina aumentou em todos as atividades econômicas analisadas: na indústria (4,5%), no comércio (6,7%) e em serviços (2,4%). Porém, o terciário ainda é o que absorve o maior número de trabalhadoras: quase dois terços do total de mulheres, em subsetores como educação, saúde, serviços sociais e administração pública, além dos serviços domésticos. “A ocupação feminina ainda espelha o papel que foi dado à mulher pela sociedade, que é o de cuidar, ensinar, passar”, destacou Márcia Guerra.

Outro ponto positivo registrado pela pesquisa foi o crescimento de 9,9% do emprego com carteira assinada para as mulheres, enquanto para os homens o aumento da formalização ficou em 5,2%.

Rendimentos

Apesar dos avanços na ocupação, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens no ABC. Em 2013, as ocupadas receberam R$ 9,18 por hora, contra R$ 13,07 recebidos pelos homens, com aumento de 0,4% e 0,5% àqueles registrados em 2012. Naquele ano, o rendimento médio por hora das mulheres correspondia a 70,3% do recebido pelos homens, relação que passou para 70,2% em 2013.



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