Portugueses e japoneses formam maiores colônias no ABC | Diário Regional

Portugueses e japoneses formam maiores colônias no ABC

02/03/2014 4:37
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Italianos têm forte presenças em todas cidades do ABC, sendo a segunda maior colônia - Foto: ArquivoOs imigrantes de origem portuguesa representam a maioria dos estrangeiros residentes na região, segundo dados da Polícia Federal. Com total de 8.165 portugueses, o número é a soma de vistos permanentes e provisórios. A colônia portuguesa é a maior em todas as cidades da região, batendo com os números da Capital paulista, onde também é maioria. Ao todo, o ABC possui 28.474 estrangeiros de diversos países.

Diferentemente da cidade de São Paulo, onde hoje os bolivianos estão em segundo lugar no número de imigrantes, na região quem ocupa a posição são os japoneses, com 4.133 moradores. Já os bolivianos ainda não estão entre a maioria dos estrangeiros no ABC, com 602 pessoas, com maior concentração em Santo André. As cidades onde a colônia japonesa é a segunda mais numerosa são Diadema, São Bernardo, Mauá; Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Além dos bolivianos, entre nossos vizinhos latinos, a maioria é de chilenos e argentinos.

Em terceiro lugar está a colônia italiana (3.737) e em quarto os espanhóis (3.627). Essas colônias são consideradas tradicionais, já que o fluxo de imigração teve início há mais de 100 anos. O que explica que nessas quatro nacionalidades a maioria tenha mais de 50 anos. O número mais expressivo é o de pessoas acima de 70 anos, 28.192 ao todo, sendo que os japoneses apresentam maior proporção nesta faixa etária em relação às demais. Pessoas do sexo masculino são também maioria entre os estrangeiros.

Paolo Zandonadi, 64 anos, morador de São Bernardo, chegou ao Brasil ainda muito pequeno e hoje soma 62 anos no país. “Nasci na Itália. Meu pai arrumou um emprego em São Bernardo e viemos direto para cá. Não tive escolha, viemos de navio”, destacou. Após tantos anos vivendo na região, Paolo diz sentir saudades apenas dos amigos que já faleceram e que, por isso, já não possui mais tanto contato com outros conterrâneos. “Gosto daqui. Não voltaria a morar lá, ainda mais agora que a Europa está em crise”, ponderou Zandonadi. Na região a colônia italiana ocupa o segundo lugar, e tem sua maioria, apenas em Santo André. Em São Caetano, cidade que conserva forte influência italiana, curiosamente, os espanhóis são a segunda colônia mais numerosa, com os italianos figurando em terceiro lugar.

Já entre os estrangeiros mais recentes a se fixar no ABC se encontram casos como o de Sarah Bryce, 34, uma dos 11 canadenses que vivem em Santo André. “Vim para cá pelo programa de cooperação entre a universidade que me formei e a prefeitura. Não foi muito planejado, não tinha ouvido falar da cidade, mas decidi aproveitar a oportunidade”, explicou Sarah. A canadense lembra ter sido bem recebida para o cargo de trainee ao qual se inscreveu ainda na gestão do prefeito Celso Daniel (PT). “Aí conheci meu marido e fiquei, já faz dez anos. Não tenho contato com muitos canadenses aqui na região, os dois que conheço vieram para cá pelo mesmo programa”, destacou Sarah.

Há apenas quatro anos no Brasil, Mathieu Claudel, 30, também faz parte de outra pequena colônia da região. “Encontrei minha esposa na França, ela é de Santo André e foi fazer pós-graduação lá”, comentou. Apesar de o município ter 60 de seus conterrâneos, Mathieu diz só ter contato com outros franceses que moram em São Paulo. “Gosto muito do ABC, mais do que da Capital. Não pretendo voltar para a França. Quero ficar por aqui mesmo”, concluiu.

Haitianos buscam refúgio no ABC

A região é o lar de muitos estrangeiros de países distantes e pequenos. Tailândia, Romênia, Nicarágua, Letônia, Índia, Hungria, Guatemala, Gana e Burkina Faso são as terras natais de alguns dos estrangeiros que vivem sozinhos ou em pequenos grupos na área. Entre eles estão alguns refugiados de países em conflito, que assim como boa parte dos europeus que aqui chegaram após a I e a II Guerra Mundial, fogem de guerras e da pobreza. Segundo os dados da Polícia Federal, o ABC abriga hoje refugiados da Síria, Colômbia, Nigéria, Mali e do Congo.

Nessa situação um grupo em especial vem chamando a atenção das autoridades da região. No total, o ABC possui 81 haitianos em situação legal, mas a estimativa é que só em Santo André um número muito maior esteja buscando refúgio. “Vamos pedir verba para o governo federal. Estamos estimando em 500 haitianos morando na favela próxima a Estação de Utinga”, disse o secretário de Relações Institucionais e Cultura de Paz de Santo André, Tiago Nogueira. A prefeitura acredita que os haitianos estejam vindo através de várias rotas até as fronteiras do Acre e proximidades.

Até cruzar a fronteira do Brasil, os haitianos viajam dias a partir da República Dominicana, país vizinho ao Haiti. De lá, embarcam para o Panamá e para o Equador, que não exige visto de entrada. De Quito (Equador), cruzam o Peru até a cidade de Puerto Maldonado, onde atravessam de carro a fronteira do Brasil e chegam à cidade de Assis Brasil (AC). Segundo o governo federal 25 mil haitianos vivem no Brasil.



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