Gastos disparam e poupança do governo cai à metade em janeiro | Diário Regional

Gastos disparam e poupança do governo cai à metade em janeiro

01/03/2014 10:44
Print Friendly

Uma semana depois de prometer maior austeridade em 2014, ano eleitoral, o governo da presidente Dilma Rousseff divulgou ontem (28) disparada de gastos em janeiro. Impulsionadas por pagamentos atrasados de 2013, as despesas federais com pessoal, programas sociais, custeio administrativo e investimentos tiveram alta de 19,5% e chegaram a R$ 90,1 bilhões.

Em consequência, o saldo das contas do Tesouro Nacional – a diferença entre as receitas e os gastos – caiu à metade, de R$ 26,3 bilhões em janeiro de 2013 para R$ 13 bilhões no mês retrasado. Considerados os resultados dos Estados e municípios, a poupança do setor público caiu, na mesma base de comparação, de R$ 30,3 bilhões para R$ 19,9 bilhões.

Os dados desagradaram o mercado financeiro e contribuíram para a queda do índice Ibovespa (-1,08%) e para a alta do dólar (0,86%). O mercado financeiro acompanha mais de perto o impacto dos gastos do governo na inflação e no crescimento da dívida pública.

De acordo com as metas anunciadas na semana passada, o Tesouro Nacional deverá fazer poupança de R$ 80,8 bilhões até o final do ano, acima dos R$ 75,3 bilhões do ano passado – só obtidos, aliás, por meio do adiamento de gastos de dezembro para janeiro.

O objetivo é manter o saldo das contas do governo – que influencia a expansão da dívida pública e a inflação – estável como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, proporcional à dimensão da economia nacional.

O resultado de janeiro mostra como será difícil atingir os resultados prometidos. Normalmente, trata-se do mês de maior superávit no ano, em razão do calendário da arrecadação de tributos. No ano passado, o saldo de janeiro representou um terço do total obtido no ano. O do mês retrasado equivale a um quinto da meta a ser cumprida até dezembro.

O secretário do Tesouro Nacional, Arnon Augustin, minimizou a importância da piora dos números de janeiro, que atribuiu a fatores atípicos, sem caracterizar uma tendência. Segundo ele, o saldo de fevereiro será positivo, enquanto o do mesmo período de 2013 foi negativo.

Mesmo com ressalvas semelhantes, analistas consideraram os resultados ruins e mostraram ceticismo quanto ao cumprimento da meta fiscal equivalente a 1,9% do PIB, mesmo percentual obtido no ano passado. Para a consultoria Rosenberg Associados, a “esbórnia” nas contas públicas de 2013 ainda causa significativo impacto em 2014. A empresa manteve sua projeção de superávit em 1,5% do PIB. O Itaú Unibanco, por sua vez, trabalha com projeção ainda mais modesta, de 1,3% do produto.

Para Felipe Salto, da Tendências, toda a reação nega­tiva ao resultado fiscal de ja­neiro está sendo exagerada.



Comente esta matéria


Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários discriminatórios ( contra raça, sexualidade, cor, crença e outros) , que violem a lei, a moral e os bons costumes poderão ser denunciados pelos internautas , removidos ou não publicados pela redação.
%d blogueiros gostam disto: