PIB do país cresceu 2,3% em 2013 | Diário Regional

PIB do país cresceu 2,3% em 2013

28/02/2014 10:29
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Em linha com as expectativas do mercado, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2013, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados ontem (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado superou a alta de 1% de 2012, mas configura o terceiro ano de fraco crescimento econômico – em 2011, a alta foi de 2,7%.

Apesar de modesto, o crescimento do PIB somente ficou abaixo dos apresentados por China e Coreia do Sul, entre 13 economias selecionadas pelo IBGE que já apresentaram seus resultados.

No quarto trimestre, houve avanço de 0,7% em relação ao terceiro trimestre – quando o PIB havia se contraído em 0,5% –, acima do previsto pelo mercado. Na comparação com o quarto trimestre de 2012, o indicador registrou expansão de 1,9%. Em valores, o PIB de 2013 somou R$ 4,84 trilhões.

Na média dos três anos do governo de Dilma Rousseff, a economia do país avançou 2%. No início do ano passado esperava-se mais, mas vários fatores contribuíram para a frustração, dentre os quais o esfriamento do consumo diante de juros maiores, crédito restrito e inadimplência ainda elevada. Outra trava ao crescimento do PIB e do consumo veio dos preços mais altos. Com a inflação de 5,91% de 2013 concentrada em alimentos e serviços, muitas famílias reduziram suas cestas de consumo.

Em meio a um cenário adverso, a indústria produziu apenas 1,3% mais em 2013. Nos serviços, a alta foi de 2% no ano passado. A agropecuária registrou expansão de 7%, embalada pela safra recorde de grãos. Foi o melhor resultado do setor na série histórica do IBGE, iniciada em 1996.

Pela ótica do consumo, os investimentos reagiram e foram o destaque positivo, com expansão de 6,3%, invertendo a queda de 4% de 2012. O consumo das famílias medido pelo IBGE desacelerou e cresceu 2,3%, após alta de 3,2% em 2012, enquanto o do governo cresceu 1,9%.

As exportações avançaram 2,5% em 2013, em ritmo menor do que o das importações – alta de 8,4%. Esse descompasso mostra que o setor externo contribuiu negativamente para o PIB, pois as importações entram com sinal negativo, já que são produtos e serviços gerados fora do país.

Previsões

Para 2014, a expectativa de analistas é de mais um ano de fraco crescimento econômico diante das previsões de desaceleração do emprego e rendimento, da inflação ainda alta e do crédito restrito, além da fraca confiança de empresários e consumidores. As previsões apontam para taxa de 1,8% a 2,2%.

Os dados do PIB do quarto trimestre ficaram um pouco acima das previsões, de alta na casa de 0,5%. Por isso, devem levar os analistas a refazer suas projeções e projetar PIB maior para 2014. Para a Rosenberg & Associados, por exemplo, o resultado traz “carregamento estatístico” de 2013 para 2014. “Isso deve acalmar um pouco os ânimos, ao menos temporariamente, e estancar a onda de revisões para baixo do PIB deste ano”, diz a consultoria, em relatório.

Entenda como o IBGE calcula o Produto Interno Bruto do país

O Produto Interno Bruto (PIB) é um dos principais indicadores de um país, pois revela o valor da riqueza gerada. O cálculo do PIB, porém, não é simples. Imagine que o IBGE queira calcular a riqueza gerada por um artesão. Ele cobra R$ 30 por uma escultura de madeira. Porém, não é essa a contribuição dele para o PIB.

Para fazer a escultura, o artesão usou madeira e tinta. Não é ele, porém, que fabrica esses produtos – teve que adquiri-los da indústria. Assim, o preço de R$ 30 traz embutido os custos para adquirir as matérias-primas. Se a madeira e a tinta custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10, não de R$ 30. Os R$ 10 foram a riqueza gerada pelo profissional ao transformar um pedaço de madeira e um pouco de tinta em uma escultura, posteriormente vendida.

O IBGE precisa fazer esses cálculos para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que adquiriu de outros setores. Depois de fazer esses cálculos, o instituto soma a riqueza gerada em cada setor, chegando à contribuição de cada um para a geração de riqueza e, portanto, para o crescimento econômico do país.

Cresce a fatia do governo e a da indústria cai ao menor nível

Nunca o consumo do governo teve peso tão grande na economia do Brasil como em 2013, quando a fatia chegou a 22%, contra 21,3% de 2012. A participação era de 19,2% em 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na conta do consumo do governo, estão todos os bens e serviços usados por União, estados e municípios para atender à população em saúde, educação, na própria administração, entre outras áreas.

O consumo do governo entra no PIB pela ótica da demanda, que inclui ainda o consumo das famílias (peso de 62,5% em 2013), investimentos (18%), exportações (12,6%) e importações (-15,1%) – o último entra com sinal negativo pois reflete produção realizada fora do país.

Enquanto a “mão do Estado” avançou na economia, a indústria cedeu terreno para outros setores, especialmente o de serviços. A indústria ficou com 24,9% do PIB em 2013, menor participação desde 2000. É uma tendência das economias mais maduras ter os serviços com mais peso, pois, com o avanço da renda, o consumo de serviços cresce também. No Brasil, porém, discute-se sobre se houve desindustrialização prematura, antes que alcançasse renda per capita mais elevada.



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