Taxa de desemprego no ABC em janeiro é a menor em 15 anos | Diário Regional

Taxa de desemprego no ABC em janeiro é a menor em 15 anos

27/02/2014 10:30
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Para Jensen, economia sofrerá os impactos da Copa e das eleições em 2014 - Foto: ArquivoO ABC registrou, em janeiro, a menor taxa de desemprego para o mês desde maio de 1998, quando a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) começou a ser realizada na região. O índice manteve-se praticamente estável nos sete municípios neste início de ano, ao subir para 8,9% no mês passado, 0,1 ponto porcentual acima do apurado em dezembro de 2013.

“É o melhor janeiro da série histórica da PED no ABC”, cravou o economista Thomaz Ferreira Jensen, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que realiza a pesquisa em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e com o Consórcio Intermunicipal do ABC. A divulgação dos dados ocorreu ontem (26), no Consórcio.

Contribuiu para o resultado o aumento de 0,5% na ocupação, com a criação de 7 mil vagas. Foi a primeira vez que esse contingente variou positivamente em janeiro desde 2004. Apesar de expressiva, as 7 mil vagas não foram suficientes para abrigar as 9 mil pessoas que ingressaram na força de trabalho e por isso, o total de desempregados cresceu 1,6%, para 126 mil pessoas.

“Foi um janeiro bom para o ABC, pois houve aumento da ocupação em um mês caracterizado pela demissão de trabalhadores temporários e estabilidade na taxa de desemprego mesmo com a elevação da PEA”, disse a analista de mercado de trabalho Leila Luiza Gonzaga, da Fundação Seade, referindo-se à População Economicamente Ativa, como é chamada a força de trabalho.

Ainda segundo a pesquisa, houve eliminação de 20 mil postos de trabalho na indústria de transformação, com queda de 5,5% sobre o estoque de dezembro, mas o nível de ocupação elevou-se no comércio e reparação de veículos (alta de 7,8%, com a criação de 16 mil postos de trabalho) e no setor de serviços (aumento de 2,4%, com a geração de 15 mil vagas).

Para Jensen, as análises em um ano completamente atípico como 2014 ficam prejudicadas, mas é certo que a economia sofrerá os impactos da Copa e das eleições, que influenciam as decisões do setor industrial, enquanto o cenário de juros em elevação podem postergar o consumo. “É possível que ocorra o mesmo que em 2013: um primeiro semestre de taxa de desemprego em evolução lenta e persistente e maior recuperação no segundo semestre”, previu.

A pesquisa revela também que o rendimento pago no setor privado fechou o ano em queda de 5,7% em dezembro na comparação com igual mês do ano passado. Jensen explicou que, embora a maioria das categorias profissionais tenha obtido reajustes acima da inflação em 2013, as empresas têm adotado a rotatividade da mão de obra como mecanismo para reduzir salários, o que explica a queda apurada pela PED.



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