Santista morre após agressão de são-paulinos | Diário Regional

Santista morre após agressão de são-paulinos

25/02/2014 9:55
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PM faz o policiamento no Estádio do Morumbi durante o clássico de domingo - Foto: Evelson de FreitasEstadão ConteúdoO torcedor santista Márcio Barreto de Toledo, 34 anos, foi morto a golpes com barras de ferro na noite de domingo na zona leste da Capital paulista. De acordo com testemunhas, os agressores seriam torcedores do São Paulo. Toledo, que era segurança, havia assistido ao clássico entre as equipes, no Morumbi, e depois ido à sede da Torcida Jovem, da qual era sócio, no Jardim Aricanduva.

Por volta de 20h, Toledo deixou a quadra, e, com outros santistas, dirigiu-se a um ponto de ônibus próximo, na avenida Conde de Frontin. No caminho teriam sido abordados por agressores que saíram de um Vectra preto e um Corsa branco – as placas não foram anotadas. Enquanto os outros santistas fugiram, Toledo acabou sendo espancado.

Mesmo levado ao Hospital do Tatuapé, ele morreu às 23h31. O boletim de ocorrência, que havia sido lavrado um pouco antes, às 21h23, indica que Toledo sofreu traumatismo craniano e torácico. O enterro deve acontecer hoje.

O caso pode ser investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) ou pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Ontem, segundo a assessoria de imprensa do DHPP, as barras de ferro usadas na agressão já chegaram ao órgão para avaliação. Nenhum suspeito havia sido detido para averiguação.

A viúva de Toledo, Samanta Silva Ferreira dos Santos, disse não ter ideia de como vai manter seu filho, César, de cinco meses. “Não pensei nisso. Não caiu a ficha. Acho que só vou perceber quando der o horário dele (Márcio) chegar do serviço e não aparecer”, afirmou.

“Mesmo que demore, quero que quem fez isso seja identificado e fique na cadeia. Mesmo que não sejam todos, mesmo que seja só metade, ou um. Meio, que seja”, disse Samanta. Em nota, o Santos disse repudiar a violência e prestou “condolências aos familiares dos torcedores envolvidos”.

Vinte meses

O caso de Toledo é a primeira fatalidade envolvendo torcedores de uniformizadas em São Paulo em 20 meses. O último teve como vítima o corintiano Reginaldo Fernandes de Sena – que, em junho de 2012, foi alvo de tiro disparado por um santista.

A morte de Toledo ocorre em um momento tenso na relações entre clubes e torcidas organizadas. No início do mês, cerca de cem invasores entraram no CT do Corinthians para questionar a má fase da equipe. Eles só deixaram o CT após falar com Mano Menezes.

PM desiste de pedir a suspensão de organizadas

A pedido da Polícia Militar, a Federação Paulista de Futebol (FPF) não vai mais suspender as torcidas organizadas. Segundo o chefe do departamento de segurança da entidade, Marcos Marinho, a decisão visa tornar mais fácil a identificação dos integrantes das facções.

“A PM prefere que a gente não suspenda as organizadas. Disseram que quando punimos a torcida, torna mais difícil separar os membros dos grupos dos torcedores comuns e abre-se a oportunidade para que aprontem sem serem identificados”, disse Marinho.

A própria FPF admite que as suspensões de organizadas não impediam a entrada dos torcedores em estádios, mas apenas a identificação deles como um grupo. Quando suspensa, a facção era apenas proibida de entrar nas arenas com instrumentos que a identificassem: faixas, camisas ou bonés.



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