'Clube de Compras Dallas' é feito para dar Oscar a atores | Diário Regional

‘Clube de Compras Dallas’ é feito para dar Oscar a atores

22/02/2014 10:51
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McConaughey perdeu cerca de 21 quilos para representar  o drama - Foto: DivulgaçãoQuem se lembra dos desempenhos de Charlize Theron em Monster: Desejo Assassino (2003) ou o de Christian Bale em O Vencedor (2010), entre tantos outros? O que têm em comum atores que sofrem transformações físicas radicais para representar dramas com máximo realismo? Em geral, são recompensados com o Oscar pelo “esforço de interpretação”.
Depois de conquistar o Globo de Ouro, é o que se espera que vá acontecer na noite de 2 de março com Matthew McConaughey pela atuação em Clube de Compras Dallas.

Até agora mais conhecido por ser um bonitão com um físico arrasa-quarteirão, McConaughey perdeu cerca de 21 quilos para representar o drama baseado na história real de Ron Woodroof, um eletricista texano vítima da Aids nos primeiros anos da epidemia há três décadas.

Jared Leto, seu colega de elenco menos malhadão, perdeu “apenas” cerca de 13 quilos para assumir as fragilidades de Rayon, o transexual que se torna parceiro de tragédia de Woodroof. Leto também venceu um Globo de Ouro de coadjuvante e é favorito ao Oscar na categoria.

Se abstrairmos esse admirável talento elástico dos dois atores, o que sobra para justificar que o longa dispute o prêmio de melhor filme?

Como diz a editora que contrata o repórter em Philomena: o público quer histórias de “interesse humano”, algo para se emocionar e aliviar a consciência para seguir adiante. Em outras palavras, quer “Truth Entertainment” (produtora de “Clube de Compras Dallas”), verdade-entretenimento.

A saga de Woodroof reúne um punhado de ingredientes essenciais a esse tipo de pauta, como a conversão de um antipático homofóbico em simpatizante, o combate quixotesco de um doente à insaciável cobiça dos trustes farmacêuticos, a conduta irresponsável de médicos na aplicação do AZT sem levar em conta seus efeitos danosos ao organismo de pacientes já fragilizados pelo vírus HIV.

A diferença de “Philomena” é que aqui não temos um diretor astuto que joga com a adesão emocional da plateia enquanto expõe os mecanismos de construção da história. O que temos é só um filme sob medida para seus atores ganharem o Oscar.



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