Contra oscilação do dólar, Grundfos aposta em nacionalização de bomba | Diário Regional

Contra oscilação do dólar, Grundfos aposta em nacionalização de bomba

20/02/2014 9:50
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Sandanelli: “futuro da Grundfos é aumentar a produção no Brasil” - Foto: Eberly Laurindo/Especial para o DRA Grundfos aposta no aumento do índice de nacionalização de seu portfólio de bombas e sistemas de bombeamento como estratégia para “driblar” as oscilações do câmbio. Atualmente, a empresa – que possui fábrica em São Bernardo – importa metade do que vende no país.

Segundo o diretor geral da subsidiária brasileira da Grundfos, Sandro Sandanelli, a oscilação cambial atrapalha os negócios da empresa de duas formas: dificulta a tomada de decisão do cliente em relação a projetos e, quando há desvalorização do real, deixa os produtos mais caros – mesmo quando a produção é nacional, já que as matérias-primas, como o aço, são dolarizadas.

Das cerca de 40 linhas de bombas comercializadas pela Grundfos no Brasil, um terço é produzido e montado na Europa. Outro terço é montado no Brasil com parte dos componentes importada e o restante é 100% fabricado em São Bernardo.

“O futuro da Grundfos é aumentar a produção no Brasil. Temos vários projetos de nacionalização em andamento, necessários não só em função dos custos, mas também para adequar os produtos à realidade brasileira. Em termos de estratégia de produção, esse é o principal objetivo da empresa neste momento”, disse Sandanelli.

O aumento da nacionalização será possível, entre outros motivos, porque a fábrica de São Bernardo inaugurou, neste mês, bancada de teste para bombas de grande porte que demandou aporte de R$ 2,7 milhões. “A bancada vai ajudar a Grundfos não só a elevar a produtividade, mas também permitindo a produção no Brasil de bombas que não conseguíamos testar no país”, disse Sandanelli.

Finame

Outra vantagem da localização é que a bomba feita no Brasil pode ser financiada pelo Finame, linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinada à aquisição de máquinas e equipamentos com índice de nacionalização superior a 60%.

Sandanelli explicou que a empresa vai priorizar a nacionalização de bombas normalizadas de ferro fundido para uso geral, o que deve ocorrer ainda este ano. Atualmente, a produção local compreende bombas para aplicação doméstica, de agricultura e combate a incêndio, que eram fabricadas anteriormente pela Mark Peerless, companhia adquirida pela Grundfos em 2003.

Para isso, a empresa espera ampliar seu quadro de pessoal, atualmente na casa de 150 funcionários. Uma opção é criar o segundo turno de produção.

Vendas da empresa cresceram 37,5% no ano passado

No ano passado, a Grundfos registrou faturamento de R$ 110 milhões, com expansão de 37,5% sobre as vendas de 2012 e comercialização de 81 mil bombas. Com isso, a companhia alcançou 11% de participação no mercado brasileiro de soluções de bombeamento, estimado em R$ 1 bilhão anuais.

A construção civil respondeu por 38% do faturamento da Grundfos, seguida das áreas industrial (25%), de saneamento e distribuição (18% cada). Na construção civil, o destaque são os projetos em que a caixa d’água é instalada no térreo ou subsolo do prédio, ao invés da cobertura – a água é bombeada para os apartamentos por meio de sistema de pressurização.

“A vantagem é que, sem a caixa d’água, as construtoras conseguem projetar a cobertura, que é uma área nobre, completamente limpa. Além disso, a solução dispensa reforço estrutural necessário quando a caixa fica na cobertura do prédio”, explicou o diretor geral da subsidiária brasileira da Grundfos, Sandro Sandanelli.

Também contribuíram para o aumento nas vendas em 2013 os sistemas de combate a incêndio e os negócios na casa de
R$ 4,5 milhões gerados pelo fornecimento de sistemas de bombeamento aos 12 estádios que vão receber os jogos da Copa do Mundo. A Grundfos espera faturar outros R$ 20 milhões com projetos relacionados aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O setor de serviços respondeu por 7,5% do faturamento da Grundfos no Brasil, mas a empresa projeta dobrar o porcentual até 2020. O portfólio da companhia é composto de 40 linhas de bombas, que custam de R$ 150 (domésticas) a R$ 1 milhão (para saneamento).

 



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