Manifestante é preso e advogado diz que ele era pago para tumultuar | Diário Regional

Manifestante é preso e advogado diz que ele era pago para tumultuar

13/02/2014 9:51
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Jonas Tadeu Nunes, advogado de Caio Silva de Souza, diz que cliente foi pago para se manifestar - Foto: Tânia Rêgo/Agência BrasilO manifestante Caio Silva de Souza, 23, indiciado pela morte do cinegrafista da TV Band Santiago Ilídio de Andrade, 49, foi preso na madrugada de ontem (12) em uma pousada em Feira de Santana (a 119 km de Salvador).

À TV Globo, que acompanhou a operação dos policiais que saíram do Rio para prendê-lo, Caio de Souza disse que ele e Fabio Raposo, manifestante preso desde sábado, acenderam o artefato que atingiu o cinegrafista da Band – embora não soubesse se tratar de um rojão.

À polícia, Caio disse que não falaria e que só prestaria depoimento em juízo. Segundo seu advogado, Jonas Tadeu Nunes, Caio e outros jovens eram remunerados para participar de protestos – e recebiam até R$ 150 por manifestação, dependendo do tamanho.

Para participar do ato na Central do Brasil no dia em que o cinegrafista foi atingido, Caio teria recebido o valor máximo, segundo ele. “O dinheiro era pago por um ativista, que não me deram o nome. Porém, esse ativista tem envolvimento com político, com diretórios regionais de partidos, de vereadores, deputados estaduais e senadores”, afirmou o advogado, por telefone.

Nunes não quis dizer, no entanto, quais partidos poderiam estar pagando manifestantes. “Isso a polícia tem que investigar”, afirmou. Um novo inquérito foi aberto na delegacia que investiga a morte do cinegrafista para apurar a denúncia do advogado.

O defensor afirmou ainda que o manifestante preso ontem, que recebia um salário mínimo como auxiliar de serviços gerais em um hospital estadual na zona oeste do Rio, usava o dinheiro das manifestações para “completar” os seus rendimentos.

“O garoto vive numa situação miserável, não no sentido de ser um monstro, um criminoso, mas no sentido de sua situação financeira, no sentido da pobreza extrema em que vive. Então, foi aliciado a participar de manifestações e para cada manifestação que e participava com o intuito de vamos fazer um quebra-quebra, ganhava R$ 150”, disse o advogado em entrevista à Globonews.

Manifestações

Ainda segundo Nunes, os aliciadores “mandam transporte para levar para as manifestações desta natureza, fornecem máscara de gás, além de equipamentos necessários para a guerra”.

Haveria, de acordo com o advogado, uma espécie de “pirâmide” entre os manifestantes: quanto mais jovens aliciassem para os protestos, mais dinheiro ganhariam.

“São dois jovens que estão começando a vida e foram desgraçados. Tiveram a liberdade tomada por esses movimentos. Essas pessoas que fomentam esse terrorismo social”, afirmou Nunes, que disse estar trabalhando de graça para os dois jovens.

De acordo com o advogado “um segurou, o outro acendeu e o outro (Caio) colocou no chão” o rojão que atingiu o cinegrafista.

No dia do protesto contra a alta da tarifa de ônibus que resultou na morte do cinegrafista, na hora em que o rojão foi aceso, os dois manifestantes tinham os rostos encobertos por máscaras – como é comum com adeptos da tática “black bloc”, que prega a destruição de patrimônio.

Caio e Raposo teriam se conhecido em manifestações, de acordo com o advogado, e só sabiam o codinome um do outro. Raposo era conhecido como Fox, não só pela palavra significar raposa em inglês, mas também pela velocidade com que corria nas manifestações. Nunes disse não lembrar o codinome de Caio.

Ainda na Bahia, Caio disse que fugiu do Rio quando sua imagem começou a ser divulgada. “Fiquei com medo de me matarem. A verdade é essa”, disse.

Ao ser indagado sobre quem poderia matá-lo, respondeu: “pessoas envolvidas nas manifestações”.

 



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