Jovem é indiciado sob suspeita de tentativa de homicídio a cinegrafista | Diário Regional

Jovem é indiciado sob suspeita de tentativa de homicídio a cinegrafista

09/02/2014 7:35
Print Friendly, PDF & Email

Imagens mostra o momento em que o suspeito lança a bomba que atingiu o cinegrafista. Foto: Reprodução TV BrasilO delegado Maurício Luciano de Almeida afirmou ontem (8) que o tatuador Fábio Raposo Barbosa, 22, foi indiciado sob suspeita pelo crime de explosão e tentativa de homicídio contra o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, durante manifestação no centro do Rio anteontem.

Barbosa se apresentou espontaneamente na 16ª DP (Barra da Tijuca) durante a madrugada e disse ter sido ele a pessoa que entregou o rojão ao rapaz ainda não identificado, que acionou o artefato e atingiu Andrade. O cinegrafista permanece em coma induzido no hospital municipal Souza Aguiar, no centro. Seu estado é considerado muito grave.

De acordo com o delegado, o tatuador foi indiciado sob suspeita pelos crimes porque contribuiu para que eles acontecessem ao passar o rojão a outro rapaz.

O tatuador disse, em entrevista à TV Globonews, que não era dono do rojão e não conhecia o homem que o detonou em direção ao cinegrafista. Afirmou que encontrou o artefato no chão e o outro rapaz lhe pediu.

“O artefato não era meu. Logo que eu cheguei, houve um corre-corre. Fui ver o que tinha acontecido. Nesse corre-corre, vi um que um rapaz correndo deixou uma bomba cair. Eu peguei e fiquei com aquilo na mão. Esse outro cara passou e disse: “Passa aí para mim que eu vou e jogo”. Daí eu peguei e passei para ele. Não tive a intenção de machucar nenhum repórter”, disse o tatuador.

O delegado afirmou, ainda, considerar a informação de que Barbosa não conhecia o outro suspeito “inverossímil”.

“Preparou uma versão com o advogado para se eximir de responsabilidade. Porém, estava gaguejando, nervoso. As imagens mostram ele lado a lado com o outro”, destacou Almeida. O delegado disse que ainda analisa se pedirá a prisão temporária do jovem ou não.

Nas imagens feitas pela TV Brasil, Raposo usava camiseta cinza e bermuda preta. Passou o rojão a outro rapaz, também de camisa cinza, mas com uma calça jeans. Ambos estavam com o rosto encoberto: o tatuado com uma máscara antiga e o outro com um pano preto.

À polícia, o tatuador disse que não participa de nenhum grupo político. Almeida, porém, afirmou que é “contumaz nas manifestações, na desordem durante as manifestações”. Segundo o delegado, o suspeito tem duas passagens pela polícia por ameaça e dano ao patrimônio. Ambas ocorridas durante protestos em outubro e novembro.

“Ele nega a participação nesses grupos. Porém, é investigado em inquérito por associação criminosa por conta de crimes durante as manifestações”, disse o delegado.

Raposo afirmou que participa de protestos, mas que não tem como objetivo agredir policiais ou membros da imprensa. “Não vou para manifestações para quebrar coisas, bater em policial, jogar pedra, essas coisas”.

O tatuador apagou seu perfil no Facebook antes de se apresentar à polícia. O delegado disse que solicitará apoio da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática) para analisar os dados da página.

Segundo a reportagem apurou, Raposo foi orientado por “black blocs” a se apresentar porque consideravam que não seria responsabilizado pelo crime. O rapaz também temia ser reconhecido pelas tatuagens e decidiu ir à delegacia espontaneamente.

“Já recebi ligações pedindo para eu assumir o caso e falar que fui eu. Não fui eu mesmo. Eu quero o bem do repórter”, disse.

A polícia ainda vai analisar imagens das emissoras de TV, do CML (Comando Militar do Leste), da CET-Rio e da Supervia, concessionária do transporte ferroviário. A manifestação ocorreu na Central do Brasil, próximo à sede desses órgãos.

Palavras-chave:


Comente esta matéria


Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários discriminatórios ( contra raça, sexualidade, cor, crença e outros) , que violem a lei, a moral e os bons costumes poderão ser denunciados pelos internautas , removidos ou não publicados pela redação.
%d blogueiros gostam disto: