Inflação cai para 0,55% em janeiro, mas clima seco pressiona alimentos | Diário Regional

Inflação cai para 0,55% em janeiro, mas clima seco pressiona alimentos

08/02/2014 10:46
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Após forte alta em dezembro (0,92%), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, desacelerou e registrou taxa de 0,55% em janeiro, segundo dados divulgados ontem (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a mais baixa registrada para o mês desde 2009. No acumulado de 12 meses, ficou em 5,59%.

A menor pressão inflacionária se deve, especialmente, ao fim do impacto do reajuste da gasolina ocorrido no final de novembro. O combustível teve aumento de 0,60% em janeiro, abaixo dos 4,04% em dezembro. Outro alívio veio das passagens aéreas, que registraram queda de 15,88% – o item havia sido um dos “vilões” em dezembro, com avanço de 20,13%.

O etanol também subiu menos – 1,43%, abaixo do 4,83% de dezembro. Diante desses impactos e, sobretudo, por conta da retração do preço das passagens áreas, o grupo transporte registrou deflação de 0,03% em janeiro e foi o principal responsável pela freada da inflação no primeiro mês do ano.

“Assim como o grupo transporte foi responsável pela alta de dezembro, agora foi responsável pela desaceleração em janeiro. A gasolina tem enorme peso no bolso do consumidor. Qualquer mudança mexe no IPCA”, afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preço do IBGE.

Alimentos

Por outro lado, os alimentos mantiveram-se em alta (0,64%) em janeiro, embora um pouco menor do que em dezembro (0,89%). O grupo sofre com o clima seco, o forte calor neste verão e a alta do dólar, que torna mais caro produtos importados, como o trigo e seus derivados.

Para Eulina, o clima pressionou os alimentos, inclusive as carnes, e criou “entressafra” atípica para os bovinos. Com a estiagem, o pasto secou e o gado come menos com o calor excessivo. Resultado: alta de 3,07% das carnes, item de maior peso no grupo alimentação.

O dólar mais alto também puxou os preços das rações animais, outro foco de pressão para as carnes, e de produtos cotados na moeda americana, como trigo e milho. Nessa esteira do câmbio, subiram itens como pão francês (1,01%), biscoito (1,15%) e ovos (1,60%).

O destaque negativo ficou com o grupo despesas pessoais, que subiu 1,72%, mais do que o 1,0% de janeiro. A alta decorre dos aumentos de preço de serviços, como empregado doméstico (1,03%) e pacotes de viagem (9,26%), além de cigarro (7,79%).

Apesar do cenário mais favorável, economistas ainda enxergam problemas à frente, especialmente devido à menor pressão do dólar e do repique de preços administrados (controlados pelo governo), que não devem recuar neste ano sem a ajuda da desoneração das tarifas de energia em 2013.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação de preços para famílias que recebe de um a cinco salários mínimos, ficou em 0,63% em janeiro. No acumulado de 12 meses, o índice acumula alta de 5,26%.



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