Câmara de Santo André retoma CPI com festa sob suspeita | Diário Regional

Câmara de Santo André retoma CPI com festa sob suspeita

08/02/2014 10:58
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que visa investigar as contas da Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André (Craisa) desde sua fundação, em 1992, retomou as atividades ontem (7) com dois depoimentos. As dívidas da autarquia giram em torno de R$ 34 milhões, como fornecedores e impostos atrasados.

Conforme adiantou o presidente da CPI, vereador José Montoro Filho, o Montorinho (PT), os valores obtidos nas festas juninas ocorridas na gestão do ex-prefeito Aidan Ravin (PSB, 2009-2012) estão sob suspeita, em especial do último ano, que não constam nos cofres da Craisa. Os montantes correspondem ao que as empresas interessadas pagavam para ter permissão – mediante licitação – de vender alimentos dentro das festas realizadas nos fins de semana de junho e julho.

O superintendente da autarquia, Hélio Tomás Rocha, confirmou a suspeita, mas preferiu evitar falar em desvio de recursos sobre o que considera “no mínimo muito suspeito”. Funcionário de carreira, Rocha assumiu o posto em janeiro do ano passado e já trabalhou como supervisor de abastecimento e técnico agrícola da Craisa.

Os valores que entraram no caixa da Craisa em 2011 somam R$ 12 mil, montante substancialmente inferior aos R$ 265 mil e R$ 130 mil arrecadados nos dois primeiros anos da festividade. Foram alugadas 35 barracas em 2009, 40 em 2010 e 66 em 2011. Ou seja, mesmo com o aumento no número de espaços licitados e alugados, 2011 teve o menor recebimento.

Rocha argumenta que os R$ 12 mil fazem referência apenas a cinco barracas, 61 a menos do que consta na licitação. O superintendente não soube afirmar qual foi o destino do dinheiro. O edital de chamamento da festa de 2012, que teve shows de Karametade e Sampa Crew como atrações principais, ainda não foi encontrado nas contas da autarquia. “A Craisa fez três editais de seleção (2009, 2010 e 2011) e por que não fez o último? Agora a (pasta de) Cultura vai me subsidiar e, se realmente eles não fizeram (o edital), a gente vai precisar ter uma investigação mais precisa”, informou.

Apesar de já ter prestado depoimento em março do ano passado, o presidente da Associação das Empresas da Ceasa ABC (Aeceasa), João Batista Lima, foi chamado novamente para confirmar as afirmações de que havia esquema de apadrinhamento político para alguns concessionários da autarquia. Porém, amenizou a situação. “Hoje todos os boxes são licitados e somos concessionários. As reivindicações feitas em 2013 foram atendidas pela prefeitura”, comentou.

Lima fugiu da pergunta do vereador José Montoro Filho, o Montorinho (PT), sobre possíveis nomes e pessoas que atuavam na perseguição política na antiga ou atual gestão, mas também não voltou a ser questionado pelos cinco vereadores presentes sobre o assunto. “Nós reivindicamos uma licitação com preços que pudéssemos pagar e isso ocorreu”, disse. Três superintendentes comandaram a Craisa durante o quadriênio da administração de Aidan: Euclides Marchi, Laerte Aparecido Sotolo e Reinaldo Abud.

Detalhes

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) entregou relatório de conformidade das contas da Craisa relacionada à gestão Aidan, nome formal para a auditória que a FGV realizou em dezembro para a superintendência. Rocha, no entanto, pediu mais informações em relação às festas juninas e aos processos administrativos internos. Para provar que o evento de 2012 de fato ocorreu, foi preciso anexar recortes de jornais.

Prorrogação

Presidente da CPI da Craisa, Montorinho pedirá prorrogação das investigações por mais 60 dias a partir da próxima sexta-feira (14), resultando em trabalhos até meados de abril. Instaurada no começo de 2013, a CPI pouco produziu desde então.

 



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