Longe do clichê, Brasil leva quatro filmes ao Festival de Berlim | Diário Regional

Longe do clichê, Brasil leva quatro filmes ao Festival de Berlim

06/02/2014 10:18
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Da esq. para a dir., Jesuita Barbosa, Karim Aïnouz, Wagner Moura e Clemens Schick, equipe do filme "Praia do Futuro" - Foto: DivulgaçãoO Brasil, que nos últimos anos levou ao Festival de Berlim longas como Tropa de Elite, de José Padilha (vencedor do prêmio Urso de Ouro em 2008) e Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, marca presença na 64ª edição do evento com quatro longas que fogem do estereótipo dos dramas sociais ou políticos.

Na principal sessão do festival, a mostra competitiva, o Brasil é representado pelo filme “Praia do Futuro”, de Karim Anouz (“Madame Satã”).

A coprodução Brasil-Alemanha concorre ao principal prêmio da Berlinale com longas como o americano “Boyhood”, de Richard Linklater, e o francês “Aimer, Boire et Chanter”, de Alain Resnais.

No filme de Anouz, orçado em cerca de R$ 7 milhões, Wagner Moura interpreta um salva-vidas que resgata um turista alemão em Fortaleza e logo embarca com ele para Berlim. O contraste entre os lugares -a cidade alemã e a praia cearense- dá o tom à obra, segundo o diretor.

“Berlim tem um pouco do que a praia não cumpriu: a cidade foi destruída, separada, mas olha sempre para frente. Já a praia do Futuro veio com uma promessa de ser um lugar dos sonhos, mas a densidade do sal daquele lugar corrói todos os empreendimentos, dá uma melancolia ao lugar”, diz.

Para Moura, a diversidade dos quatro filmes brasileiros desta edição explica parte do sucesso -desde 2011, o número de longas brasileiros exibidos não superava três. “Se comunicam mais com público, despertam interesse que não é só do brasileiro.”

Essa é a mesma opinião de Cao Guimarães, codiretor de “O Homem das Multidões”, que será exibido na mostra Panorama, voltada a filmes que fogem do eixo comercial.

“Ouço gente dizendo que se cansou de só ver o Brasil pelos filmes de violência, de favela”, afirma. “O país ficou menos monotemático.”

O longa de Guimarães, que também tem direção de Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”), trata de dois personagens solitários em Belo Horizonte; ele, fascinado pela multidão da metrópole; ela, que encontra conforto em amizades virtuais.

Na mesma mostra, será exibido Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, longa de estreia do paulista Daniel Ribeiro. O filme volta ao universo de seu curta anterior, Não Quero Voltar Sozinho, sobre um adolescente cego que se apaixona pelo colega de classe.

Já na mostra Forum, de longas mais experimentais, há “Castanha”, do gaúcho Davi Pretto. O longa embaralha registro documental e ficção ao narrar a rotina do ator João Carlos Castanha, que faz shows como transformista em bares de Porto Alegre.

Na Berlinale, Anouz também apresenta um dos episódios de Catedrais da Cultura, filme coletivo concebido por Wim Wenders. A produção usa o 3D para tratar de prédios de arquitetura icônica, como o Centro Georges Pompidou, em Paris, registrado pelo cineasta brasileiro.



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