Diretor reeleito da Medicina do ABC quer dois novos cursos | Diário Regional

Diretor reeleito da Medicina do ABC quer dois novos cursos

04/02/2014 10:33
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Pires: “hoje temos administração baseada em processos” - Foto: DivulgaçãoA votação expressiva que manteve o cirurgião torácico Adilson Casemiro Pires à frente da Faculdade de Medicina do ABC não deixou dúvidas. Alunos, corpo docente e comunidade acadêmica em geral estão satisfeitos com os rumos que a instituição tomou a partir de 2010, quando o médico assumiu a Diretoria e deu início à modernização da gestão, que passou – como o próprio diretor descreve – de administração “pessoa-dependente” para o modelo “processo-dependente”.

“Se um gestor ou até mesmo o diretor deixar hoje a Faculdade, os trabalhos seguem. A instituição não para. Até então, a gestão estava vinculada às chefias dos setores. Tudo ficava centralizado nas mãos de poucas pessoas. Hoje temos administração moderna, baseada em processos, o que imprime agilidade à instituição, melhor divisão de tarefas e organização, assim como eficiência, que permitiu duplicarmos a receita em menos de 4 anos”, ressalta o diretor reeleito, Adilson Casemiro Pires, que tem a seu lado para o mandato 2014-2017 o vice-diretor Fernando Luiz Affonso Fonseca, coordenador de Graduação e do curso de Gestão em Saúde Humana.

Para 2014, o diretor buscará autorizações para aumentar 50 vagas no curso de Medicina e para criação de duas novas graduações: Tecnologia em Gestão Hospitalar e Tecnólogo em Radiologia.Na entrevista que segue, o diretor detalha as dificuldades financeiras do primeiro mandato, o crescimento e a modernização da escola, além dos planos para investimentos em ensino, infraestrutura e qualificação docente.

Como era a FMABC quando assumiu a Diretoria em 2010 e quais as principais mudanças realizadas no primeiro mandato?

A Faculdade de Medicina do ABC sempre se destacou pela qualidade do ensino. Porém, quando assumi a Diretoria as dificuldades administrativas e financeiras eram muito grandes. Precisávamos agir de imediato, arrumar a casa, pois não havia como crescer ou inovar na situação em que nos encontrávamos. Por essa razão, priorizamos nos quatro primeiros anos de mandato a implantação de gestão contemporânea, com padrões e regras baseadas em processos. Criamos um Núcleo Gestor, contratamos profissionais com perfil empresarial, reorganizamos os setores e tornamos a FMABC uma escola moderna e eficiente.

No campo do ensino, como tem sido o trabalho junto aos cursos de graduação da instituição?

À exceção de Medicina, encontramos cursos com número de alunos bastante limitado, bem abaixo das vagas ofertadas. Repensamos as estratégias de divulgação e demos caráter regional ao vestibular, com intensas campanhas de marketing e início de parceria com a Fundação Santo André para o vestibular unificado. Hoje conseguimos completar vagas em todos os cursos, inclusive com a abertura da segunda turma nas graduações de Enfermagem, Fisioterapia e Farmácia.

Como estão as finanças?

Estão em dia, mas não foi fácil colocar a casa em ordem. Há quatro anos, a receita acadêmica representava cerca de 70% da receita total da Faculdade de Medicina do ABC. Éramos completamente dependentes das mensalidades dos alunos, com pouco recurso para investimentos e novos projetos. Hoje a receita acadêmica representa apenas 30% do total.

Realizamos incentivo importante na área de pesquisa clínica e crescemos na prestação de serviços e na assessoria em saúde. Além disso, aumentamos a Pós-graduação e as parcerias com instituições nacionais e internacionais para capacitação profissional. Também iniciamos atendimentos no campus por meio de operadoras de saúde. Graças à essa diversificação de serviços, a instituição cresceu. Saímos de orçamento anual da ordem de R$ 30 milhões para administramos hoje cerca de R$ 70 milhões.

Poderia detalhar essa diversificação de negócio que mais do que duplicou o orçamento da Faculdade?

Foram muitas ações em várias frentes. Na Pós-graduação, por exemplo, aumentamos o Stricto Sensu – que é nota 4 na CAPES – e focamos esforços no Lato Sensu, tanto em infraestrutura como na criação e reestruturação de cursos, qualificação dos professores, implantação de processos e profissionalização da gestão. Os resultados são excelentes. Hoje temos mais de 1.000 alunos matriculados nos cursos de especialização.

Com a Pós-graduação forte, buscamos parcerias com instituições nacionais e internacionais a fim de capacitar profissionais aqui na FMABC. Já tivemos alunos de Angola, Grécia, Cabo Verde, Uruguai, Argentina e Portugal. Também temos qualificado mestres e doutores das mais diversas partes do Brasil, entre as quais Pernambuco, Acre, Ceará e Rio Grande do Norte.

Resumidamente, o incentivo à área de pesquisa, os convênios para prestação de atendimento e assessoria em saúde, o crescimento da Pós-graduação e o atendimento a operadoras de saúde aumentaram e diversificaram as fontes de receita da Faculdade de Medicina do ABC. Somamos a essas novidades o apoio fundamental da Fundação do ABC, sem o qual não conseguiríamos atingir equilíbrios econômico e administrativo, que permitiram à Faculdade inovar, investir e crescer.

O que esperar para os próximos quatro anos?

Com a conquista do equilíbrio econômico-financeiro e administrativo, agora podemos focar esforços na área acadêmica. Inclusive, já iniciamos investimentos em infraestrutura e equipamentos. Recentemente entregamos o andar térreo do Prédio Central ampliado e totalmente reformado. São 12 novas salas de aula com cerca de 45 lugares cada, entregues mobiliadas, com ar condicionado e prontas para receber os alunos. Também adquirimos 428 computadores novos e os investimento em reformas estruturais, tecnológicas e para atualização de rede já ultrapassam R$ 1,2 milhão.

Mas isso é apenas o começo. Buscaremos aperfeiçoar a qualidade dos saberes ensinados na FMABC. Continuaremos a investir em melhorias na ambiência e no parque tecnológico, assim como em novos laboratórios e salas de aula. Mas nosso foco será mesmo na qualificação docente, pois queremos cursos ainda melhores. Também vamos aumentar as vagas do Programa de Residência Médica, que hoje conta com quase 400 médicos, e ampliar o Lato Sensu, com novos cursos e conhecimentos, em sintonia com os avanços nas áreas de saúde e com as necessidades observadas no mercado de trabalho.

Como está a questão de transformar a FMABC em Centro Universitário?

Continuamos trabalhando em busca deste objetivo. Já temos fontes de receita diversificadas, Pós-graduação forte e reconhecida tanto no cenário nacional como internacional. Os cursos de graduação são sólidos, com turmas completas e qualidade incontestável. Estamos evoluindo na adequação da Faculdade de Medicina do ABC como Centro Universitário especializado em saúde. Buscaremos em 2014 aprovar a abertura de dois novos cursos junto ao Conselho Estadual de Educação: Tecnologia em Gestão Hospitalar e Tecnólogo em Radiologia. Também pretendemos aumentar 50 vagas no curso de Medicina.

Recentemente a Faculdade assinou parceria com a Prefeitura de Santo André e a Universidade Metodista para a área de extensão.

A extensão é uma área em franco crescimento na FMABC e tem total apoio da Diretoria. Assinamos recentemente a parceria com Santo André e a Metodista, mas há anos realizamos ações sociais e atendimentos em saúde junto à populações carentes do município e de outras localidades do país, como no Projeto Canudos, no sertão baiano, e no Projeto Rondon em Jampruca, Minas Gerais, assim como ações em Gararu, no agreste do Sergipe, em Itapeva e Vargem, no interior de São Paulo, e em projeto junto a ribeirinhos do Rio Araguaia.

Qual o papel da Fundação do ABC e a relação com a Diretoria da Faculdade?

A Fundação do ABC é nossa mantenedora, grande parceira e apoiadora. O equilíbrio nas áreas econômico-financeira e administrativa que permitiu à FMABC crescer nesses quatro anos foi conquistado graças ao apoio e confiança da FUABC nesta gestão. Não tenho dúvidas de que essas conquistas serão mantidas e prosperarão com o novo presidente da FUABC, Marco Antonio Santos Silva.



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