Cineasta Eduardo Coutinho é assassinado no Rio; filho é suspeito | Diário Regional

Cineasta Eduardo Coutinho é assassinado no Rio; filho é suspeito

03/02/2014 9:33
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Cineasta morreu aos 81 anos, em casa, no Rio - Foto: Eduardo Anizelli/FolhapressSÃO PAULO – O cineasta Eduardo Coutinho, de 81 anos, foi assassinado a facadas ontem (2) por volta das 11h50 dentro de casa, no bairro da Lagoa, zona sul do Rio. O filho, Daniel Coutinho, é tido como o principal suspeito, segundo a polícia.
De acordo informações da Divisão de Homicídios, ele também seria o responsável por esfaquear a mãe e, em seguida, teria tentado se matar.

A mulher do cineasta, Maria Oliveira Coutinho, 62, foi socorrida pelos bombeiros no apartamento onde mora a família, e internada em estado grave no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, zona sul.

O filho também foi levado para lá, com ferimentos menos graves, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil. Segundo vizinhos do cineasta, Daniel, que morava com os pais, sofria de esquizofrenia.

O corpo de Coutinho foi encaminhado ao IML, onde foram feitos exames que constataram a morte por ação de objeto perfuro-cortante. O laudo final será divulgado em 30 dias, no qual será descrito o tipo de arma e outros detalhes do crime.

Como a família ainda não levou documentos para seguir com o processo, o corpo não deve ser liberado hoje. A previsão é que isso ocorra nesta segunda-feira. Não foi marcado ainda o enterro nem o velório.

Biografia

Natural de São Paulo, Eduardo Coutinho era considerado um dos principais documentaristas do Brasil.
Entre seus trabalhos de maior destaque estão “Cabra Marcado para Morrer” (1985), “Edifício Master” (2002), “Jogo de Cena” (2007) e “Babilônia 2000” (1999). Em 2007, o cineasta ganhou um Kikito de Cristal, principal premiação do cinema brasileiro, pelo conjunto da obra. Seu trabalho caracteriza-se pela sensibilidade em retratar na telona pessoas comuns.

Grande homenageado da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2013, Eduardo Coutinho, em entrevista à Folha em outubro passado, renegou o cinema como “instrumento político de intervenção no que o público pensa ou deveria pensar”.

“O filme militante é uma tragédia porque já está escrito antes. Convencer o já convencido é terrível, fazer um filme para convencer alguém é terrível”, disse o documentarista. Ao todo, Coutinho lançou 22 filmes durante sua carreira.

Carreira

Em 1954, aos 21 anos, teve seu primeiro contato com cinema em seminário promovido pelo Masp. Trabalhou como revisor na revista “Visão”, dirigiu peça infantil e especializou-se em roteiro.

Em 1975, passou a integrar a equipe do programa “Globo Repórter”, da TV Globo, onde permaneceu até 1984.
Após o sucesso de “Cabra Marcado Para Morrer”, Coutinho passou alguns anos trabalhando com documentários em vídeo para o Centro de Criação da Imagem Popular, com temas ligados a cidadania e educação.

São dessa época projetos como “Santa Marta – Duas Semanas no Morro” (1987) e “Boca de lixo” (1993), visões humanistas e pessoais sobre indivíduos e populações marginalizadas.

Em 1988, com o centenário da Abolição da Escravatura, foi estimulado pela Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro a realizar um documentário sobre a população negra na História do Brasil.

Surgia então o esboço de “O Fio da Memória”, centrado na figura do artista popular Gabriel Joaquim dos Santos, concluído três anos mais tarde, com o apoio das emissoras de televisão La Sept (França) e Channel Four (Inglaterra).

 



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