Evento em São Bernardo relembra ditadura militar | Diário Regional

Evento em São Bernardo relembra ditadura militar

02/02/2014 14:02
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Trabalhadores são homenageados em ato contra o golpe de 64 - Foto: Eberly Laurindo especial para o DRCerca de 400 trabalhadores da região e da Capital foram homenageados por terem sido perseguidos pelo regime militar (1964-1985) em evento realizado ontem (1º) em São Bernardo. O ato foi convocado por dez centrais sindicais. Esperado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu na cerimônia que lotou o Teatro Cacilda Becker.

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), criticou a imprensa e a comparou com os anos de chumbo. “Hoje somos vítimas do processo de ditadura da comunicação”, afirmou. A presidente da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, e o líder da Comissão Estadual com a mesma finalidade, deputado Adriano Diogo (PT), integraram o evento.

Filho do presidente deposto pelo golpe em 1964, João Vicente Goulart foi à cerimônia receber o diploma em nome do pai. “Não foi só um golpe contra João Goulart, mas também contra os trabalhadores brasileiros. Golpe dado às reformas de base propostas por ele, como a reforma agrária, tributária, urbana, educacional e bancária”, discursou. João Vicente também criticou os meios de comunicação. “Temos de romper o monopólio. É a mesma imprensa que em 1962, quando o governo João Goulart aprovou o 13º salário, se colocou ao lado dos golpistas”, afirmou.

Outros políticos da região e de São Paulo, como o ex-vice-prefeito de Santo André José Cicote e o ex-ministro Luiz Gushiken, falecidos no fim do ano passado, receberam homenagem. A lista não contempla recentes condenados pelo escândalo do mensalão e que militaram contra o regime, José Dirceu e José Genoino.

Ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, o prefeito negou que o movimento sindical esteja perdendo força no país e, em especial, na região. “Quem diz isso não sabe o que fala. Confunde representatividade e força com horas de greve. São coisas diferentes, assim como as formas de luta. Cada momento tem uma forma de luta mais ou menos eficiente”, comentou.

O argumento de Marinho foi sustentado pelo diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Adilson Torres Santos, o Sapão. “Antes, os empresários não nos recebiam. Tínhamos primeiro de fazer uma greve, para depois discutirmos questões relacionadas aos interesses dos trabalhadores”, afirmou. “Houve um amadurecimento por parte do empresariado, que hoje tem mais disponibilidade de conversar”, completou.

Na região

Três câmaras do ABC investigam possíveis crimes e perseguições no período da ditadura, Santo André, São Bernardo e Diadema (já em andamento). Apesar de não ter sido implementada no segundo semestre do ano passado quando foi proposta, a Comissão andreense deve fazer a primeira oitiva ainda em fevereiro. É o que garantiu o vereador José Montoro Filho, o Montorinho (PT), líder do grupo. “Além de trabalhadores perseguidos, um Policial Militar reformado veio me procurar e disse que quer colaborar”, informou.



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