Violência contra professores cresce 40% | Diário Regional

Violência contra professores cresce 40%

15/10/2011 11:00
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Os casos de agressão a professores nas escolas públicas paulistas têm crescido entre 30% e 40% por semestre nos últimos três anos, segundo o Observatório da Violência do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Só no primeiro semestre deste ano foram mais de 300 casos de agressão física ou verbal a docentes durante as aulas.

Porém, a proporção pode ser maior, visto que grande parte dos profissionais não oficializa essas denúncias “O professor teme a perda do emprego e acaba não reclamando à direção da escola, ou tem medo de perseguição e desiste de denunciar”, apontou o presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro) do ABC, Aloísio Alves da Silva.

Segundo a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a violência nas escolas se generalizou e não há um perfil do aluno agressor. “Temos visto casos graves em todo o Estado. Mais recentemente, o do menino em São Caetano que atirou na professora e se matou. Há pouco tempo, um menino de 6 anos bateu em um professor de uma escola em Diadema. O acúmulo de funções faz o docente estar mais exposto a conflitos”, avaliou.

Agressões verbais – O levantamento ainda aponta que as agressões verbais somam 93% dos casos, enquanto as físicas chegam 82%. Além disso, 70% dos professores que sofrem de estresse foram vítimas de algum ato violento por parte dos alunos. “Os números são crescentes e assustadores. Os educadores estão inseguros de ir para a sala de aula sem saber se voltarão vivos ou emocionalmente bem. Muitos chegam a pedir transferência por se sentirem desmoralizados nas escolas”, destacou a presidente da entidade.

A ex-professora da rede pública de Diadema Denise Pessoto afirma que os alunos praticam todo tipo de assédio contra o docente. “Não existe mais respeito, admiração e nem vontade de aprender. No meu tempo, tínhamos medo dos professores, que eram bem rígidos. O engraçado é que hoje a cena inverteu. Passamos a ter receio dos alunos”, lamentou.

Para os docentes, é fundamental que os pais dos estudantes estejam em sintonia com a vida dos filhos e com educadores que os acompanham. “Hoje a cobrança das crianças é tão grande que leva a uma situação de estresse. Não há mais tempo para brincar. Quando chega em casa, o amigo mais próximo é o computador e a violência acaba se manifestando. Todos dizem que o ensino deve se reinventar, mas o que eu noto, principalmente, que há uma falência da instituição família. Devemos começar a impor limites”, argumentou Silva.


 

Mais de 50% das salas tem acima de 40 alunos

Entre as diversas queixas dos docentes, como salários baixos, desgaste físico e emocional, e falta de estrutura nas escolas, o que precisa ser urgentemente reavaliado é a quantidade de alunos em sala de aula.

Segundo o Questionário sobre Saúde e Condições de Trabalho 2010 da Dieese – Subseção Apeoesp/Cepes, realizado com 1615 professores, 54% lecionam para salas acima 35 ou 40 alunos. “Na rede pública e particular o número de alunos sempre ultrapassa o que seria satisfatório, em torno de 20 estudantes no máximo. O jovem também não está mais preparado a dividir espaço e isso motiva brigas entre os colegas”, pontuou o presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro) do ABC, Aloísio Alves da Silva.

Ainda de acordo com a pesquisa, a principal situação de incômodo no trabalho é o barulho, com 75,5% das queixas. O mesmo número é relatado nas dificuldades de aprendizado dos alunos, situação que causa sofrimento no trabalho docente. Ambos os índices são causados devido a superlotação das salas de aula.

Depósito de criança – A relação entre a escola e os pais também deve ser revista, segundo os professores. “Em escolas particulares, os pagantes sentem-se clientes, portanto, devem reclamar do que não concordam. As escolas viraram depósito de crianças, onde os pais colocam o aluno de manhã e só pegam à noite.

Isso faz com que o ambiente de ensino se torne um lugar comum e não de conhecimento. Deve haver limitação dos alunos em sala, investimento em outros profissionais que auxiliem o professor e, acima de tudo, a participação familiar na educação”, concluiu Silva.



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