Tragédia em S. Caetano: Escola nega conflito entre aluno e professora | Diário Regional

Tragédia em S. Caetano: Escola nega conflito entre aluno e professora

24/09/2011 12:53
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Era um menino de família, bonito, feliz; bom aluno, calmo, bem educado, tranquilo. Esses foram os adjetivos destacados pelos educadores, vizinhos e colegas de classe do garoto de 10 anos que atirou na professora e depois se matou na  EME Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano. Diante dessas qualidades, o que poderia explicar o ato de uma criança contra sua professora e contra si mesmo? A explicação talvez seja árduo trabalho para a polícia e também aos estudiosos em comportamento humano.

Ontem, a diretora da instituição, Marcia Gallo, e a coordenadora pedagógica Meire Bernadete Cunha deram entrevista coletiva sobre o caso. D.M.N, na última quinta-feira, atirou na professora Rosileide Queiros de Oliveira dentro da sala de aula, e em seguida cometeu suicídio.

Ambas declararam que o menino não apresentava problemas de comportamento. Além disso, afirmaram que a professora nunca fez queixas do garoto à coordenação ou direção.

Segundo Marcia, o aluno frequentava as aulas regularmente e não sofria bullying. “Estudava aqui desde o 1º ano do ensino fundamental. Convivia bem com todos e agia como uma criança de sua idade”, declarou.

A diretora afirmou que câmeras de segurança registraram a saída e a entrada do aluno dentro da sala de aula, mas não pode descrever o que há nas imagens, que seguem em poder da Polícia Militar.

Plano de ações – Questionada sobre as medidas que serão tomadas, Marcia afirmou que haverá reuniões até terça-feira com a Secretaria de Educação e de Saúde, juntamente aos pais dos alunos para discutir planejamento de ações. “Em relação à segurança, não podemos revistar mais de 2 mil alunos. Nenhum instituto tem estrutura para a tragédia. Daqui pra frente temos que fortificar os alunos contra a violência e contamos com o apoio deles”.

A coordenadora pedagógica acredita que a família precisa ter maior parceria com o colégio. “Se estivéssemos cientes da situação, talvez fosse diferente. Mediante autorização, poderíamos ter revistado a mochila do menino no momento em que o pai deu falta da arma em casa”, pontuou. Ambas profissionais ressaltaram que os pais do aluno participavam de sua vida escolar.

Na segunda e terça-feira, psicólogos da prefeitura estarão à disposição de pais, alunos e funcionários, que continuam em choque com o ocorrido.

As aulas foram suspensas, com previsão de retorno para quarta-feira. O ambiente onde aconteceu o disparo permanecerá fechado.

Depoimentos – Na segunda-feira (26), serão ouvidas a diretora da escola e a orientadora pedagógica. A delegada que cuida do caso, Lucy Fernandes, também tentará ouvir a Rosileide Queiros, caso a equipe médica autorize. Os pais, o irmão e colegas do aluno serão ouvidos no decorrer da próxima semana.

Segundo a delegada, o irmão do aluno, de 14 anos, será a principal fonte de investigação para tentar elucidar o caso.

Curiosos fazem fila para velar corpo do menino

O corpo do aluno da EME Professora Alcina Dantas Feijão, D.M.N., foi enterrado na tarde de ontem, no Cemitério das Lágrimas, em São Caetano. Familiares que não quiseram se identificar declararam que o menino era muito doce. “Não sabemos o que o levou a fazer isso”, declarou. A tia do garoto disse que o pai nunca deixava a arma carregada em casa.
Cerca de 200 pessoas, entre curiosos, amigos e familiares acompanharam o enterro. A mãe, Elenice Mota, estava muito abalada e foi amparada pelo pai, o guarda civil Nilton Evangelista Nogueira e pelo filho mais velho, Gleison Mota Nogueira.

Fora da UTI – Rosileide Queiros de Oliveira, 38 anos, saiu on­tem a noite da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital das Clínicas e não corre risco de morte. Segundo a diretora da escola, Marcia Gallo, pode ser que a professora tenha alta hoje (24).

Para especialista, caso reforça importância do desarmamento

O caso do aluno de 10 anos que atirou em sua professora e depois cometeu suicídio, na EM Alcina Dantas Feijão, em São Caetano, reforça a importância de se investir no Desarmamento. A afirmação é do ex-secretário Nacional de Segurança José Vicente da Silva Filho. “Em 48 anos de trabalho com segurança, nunca vi uma criança cometer suicídio.”
Segundo Silva Filho, o grande problema começou dentro de casa. “As armas devem estar em absoluta segurança. Está mais do que comprovado que ter armas em casa não garante a segurança”, considerou. O ex-secretário descartou a ideia de que detectores de metal poderiam ter evitado a tragédia. “Em escolas pequenas talvez fosse viável, mas e naquelas, com mil, 1,2 alunos?”

 



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